Batidas digitais
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sexta-feira, 04 de dezembro de 1998
Nelson Sato 
Ele tocou no trio Jules et Jim no começo da década. Depois fez as malas com os companheiros de banda e partiu para Londres, capital mundial da cultura pop. De volta a Londrina, onde passa férias desde o mês de junho, o músico Rudi (Rodolfo para os chegados) Trevisani trouxe na bagagem o material sonoro que vem desenvolvendo há 7 anos com o grupo-projeto Ella Guru: um mix de música eletrônica, rock e letras em português.
É o que ele vai mostrar na festa Digital Beats, que acontece amanhã no Mecenas Bar (Av. Arthur Thomas, 325, em Londrina), cuja programação inclui também show da banda paulistana PB e discotecagem madrugada adentro sob o comando do DJ Carlos Ball. A noitada se anuncia como uma caixa de surpresas, afinal a experiência com a tecno-music ainda se mantém remota entre os artistas locais, especialmente no circuito dos porões.
Com exceção do músico erudito Guto Caminhoto, ninguém na cidade ousou apresentar para o público trabalhos com timbres, samples, batidas e efeitos programados. Vai ser um show para quem não tem medo do novo - diz Rudi, que arregimentou os músicos Marcelo D (baixista da banda G.A.F) e Márcio Luffer (ex-baterista do Jules et Jim) para acompanhá-lo.
Há duas semanas, eles se apresentaram numa casa noturna em São Paulo arrancando aplausos e elogios do público. No ano passado, Rudi lançou a demo-tape Inverno Lo-Fi, que serviu como cartão de apresentação do projeto Ella Guru. Adepto da eletrônica, o músico não admite voltar a tocar no formato tradicional guitarra-baixo-bateria. Toquei com bandas lá fora, e comecei a ficar descontente com a linguagem do rocknroll - conta ele.
A insatisfação acompanhou a crescente supremacia da música eletrônica sobre as bandas indies na Inglaterra. Depois que você conhece as possibilidades sonoras oferecidas pelo computador, não há mais volta. Você pode até compor uma canção no padrão tradicional, mas a eletrônica permite ao músico preenchê-la com camadas de efeitos, timbres, samples. Para Rudi, o importante é pesquisar, misturar informações diferentes e ser original.
Ele completa: Hoje em dia, uma canção pop - não o pop comercial, mas o pop alternativo - pode conter muito mais informação do que um disco inteiro de uma banda de rock. Para o show deste sábado, o Ella Guru deverá mostrar suas novas composições, além de covers dos grupos britânicos Portishead, Aloof e Massive Attack.
O show seria transmitido ao vivo pela Internet, de acordo com o projeto original do evento. Mas a tecnologia disponível pelos provedores locais não permitiu a ousadia. Rudi não sabe se fará outras apresentações. Sua viagem de volta a Londres está marcada para janeiro. Além do Ella Guru, a outra atração da noitada é a banda paulistana PB, que lançou este ano um CD homônimo encharcado de guitarras indies.
O outro atrativo é o DJ local Carlos Baal, incumbido de começar e encerrar a festa abastecendo a pista com as novidades recém-trazidas de sua viagem à Inglaterra. Convites antecipados a R$ 5,00 nas lojas Rei Rock Wear e Music Station. No local, R$ 7,00.


