A 7ª Oficina de MPB não tem somente brasileiro ensinando os meandros do nosso som mais característico. O americano Gary Chaffee, que já dirigiu o Departamento de Percussão da Berkeley School, e atualmente dá aulas no New England Conservatory, está ensinando aos alunos em Curitiba os segredos da bateria.
Esta é a primeira vez que vem ao Brasil e não vê qualquer tipo de estranhamento em participar de um curso intensivo, como o da Oficina, voltado à MPB. ‘‘A bateria é um instrumento universal’’, observa. O que ele está passando aos alunos diz respeito à leitura, à parte técnica. Mas tenta também satisfazer à curiosidade da garotada que quer saber mais sobre o jazz fusion, os caminhos que a música americana está tomando.
Os americanos renderam-se à música brasileira quando os jovens da Zona Sul carioca lançaram a bossa-nova. Houve um histórico concerto no Carnegie Hall, no início dos anos 60; ‘‘Garota de Ipanema’’ rodou o mundo, Tom Jobim foi colocado no pedestal como um gênio, e mesmo Stan Getz, quando gravou seu primeiro disco, baseou-se na bossa-nova, embora o título fosse ‘‘Jazz Samba’’.
Quase 40 anos depois, os Estados Unidos continuam a se interessar e ouvir a música brasileira, mas aquilo que os norte-americanos consomem não é o mesmo produto que as rádios e televisões entopem o ouvido dos brasileiros. Logicamente há uma depuração, com tendência ao instrumental.
Nesta primeira visita ao País, Gary Chaffee está satisfeito com o contato estabelecido com os músicos. Ele comenta que toda nação, seja ela qual for, tem a sua particularidade sonora inatingível às partituras. Só mesmo com um professor daquele local para tentar transmitir as cores, andamentos e climas desejados.
Esse detalhe não está sendo problema na relação com os alunos em Curitiba. Para Chaffee todo baterista faz parte de uma grande família ‘‘que se comunica facilmente; um baterista gosta de ouvir o outro’’. Tanto é verdade que tem revistas especializadas na Alemanha, Japão, Finlândia e muitos outros lugares, argumenta.
Interessado na percussão brasileira, o norte-americano vai assistir ao carnaval do Rio de Janeiro para mergulhar no mundo único da bateria das escolas de samba. ‘‘Quero saber realmente como é que se toca aqui cada instrumento’’, afirma. Seus planos incluem a possibilidade de levar alguns instrumentos aos Estados Unidos, para mostrar aos alunos.
‘‘Ver carnaval é um sonho para todo baterista’’, conta Gary. O gosto de estar em plena Marquês do Sapucaí será vivido duplamente: da arquibancada, como turista e músico, e também como folião. Sua esposa está vindo especialmente para desfilar na escola Grande Rio. O músico garante que, de qualquer forma, estará aprendendo algo de novo, mesmo pisando na passarela, compondo o espetáculo para quem está de fora.

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