Gente boníssima. Não bastasse, um baita músico. Tão bom que Gilson Corsaletti, não de hoje, é considerado a referência maior como baterista em Londrina são 27 anos de uma trajetória marcada pela disciplina, camaradagem, prestígio e, sobretudo profissionalismo. Agora o mestre ora, desde 79 ele se dedica também ao ensino de seu instrumento está colocando na roda o próprio método, disponibilizado através da Copel e Cultura Interativa via Lei Rouanet e projeto estadual Conta-Cultura. O lançamento oficial deve acontecer entre março e abril, mas ''Ritmo - Método de Bateria'' já pode ser adquirido em bancas, livrarias e no Armazém do Músico.
O material levou 15 anos para ficar pronto, tempo que Corsaletti se dedica ao ensino de bateria e percussão no Conservatório Musical de Londrina. E traz os principais rudimentos (tipos de padrões rítmicos) e exercícios não sem antes dar uma boa pincelada sobre as origens do instrumento, explicações sobre as várias peças que o compõem, bibliografia e uma breve mas consistente explanação sobre teoria musical (notas, tempos, compassos, partituras, claves, divisões, etc). ''É um método abrangente e sintético destinado a iniciantes e para quem deseja se profissionalizar'', frisa Corsaletti. O livro conta com revisão de texto do poeta e escritor Maurício Arruda Mendonça, foto de Saulo Ohara e projeto gráfico de Edson Ito
O ineditismo ronda o livro. A sacada genial fica por conta de um CD com 33 músicas, compostas por Vitor Gorni, multiinstrumentista e maestro, e aglutinadas em forma de karaokê para que o aluno possa colocar em prática os ensinamentos do autor. São diversos ritmos (rock, blues jazz, samba, bolero, funk, entre outros) marcados pela bateria que desaparece em determinado momento é a deixa para o praticante fazer seu próprio solo. As faixas foram colocadas por ordem de dificuldade técnica.
Gilson Corsaletti pinçou os principais ritmos norte-americanos, caribenhos e brasileiros. Detalhe interessante: alguns desses ritmos, como o carimbó, maracatu, vanerão foram transpostos para a bateria. Enfim, batuques mais em evidências que irão ajudar no desenvolvimento de futuros músicos profissionais.
A inclinação de Gilson Corsaletti para a bateria começou meio por acaso. Nascido em Santo Anastácio, interior paulistano, desde pequeno se viu cercado por música e músicos em família o irmão, por exemplo, tocava violão. E nesse ambiente, batucava despretensiosamente contagiado com o que ouvia. ''Um dia meu irmão falou: vamos formar um conjunto e formamos'', relembra. Aos nove anos de idade era o baterista de ''Os Brasinhas''. No repertório, canções do Beatles, Os Incríveis, Roberto Carlos, ídolos da década de 60.
A bateria de Gilson era improvisada. Em vez de tambores, latas de tintas vazias. Foi o pontapé inicial na formação do músico que atuou também em grupos musicais com nomes interessantes, como Turbasom e Os Invencíveis. Aos 13 anos, já participava de alguns festivais de música na região em que morava. Em 78, veio a Londrina para cursar Psicologia. Paralelamente, estudava música chegou, inclusive, a fazer parte de alguns grupos musicais.
Além disso, atuou também como ator no grupo Proteu, onde participou de algumas montagens como ''Calabar'' e ''Na Carreira do Divino''. O lado artístico falou mais forte ao ponto de ele abandonar o curso universitário no último ano. ''Tinha que fazer uma escolha'', diz Corsaletti sem o menor arrependimento. O grande impulso aconteceu em 79 quando começou a dar aulas de bateria, graças a oportunidade dada por Silvia Maria Lemos Baptista, diretora do Conservatório Musical de Londrina.
Em 83, o teto começou a ficar baixo para um músico que crescia cada vez mais. E São Paulo, foi a cidade escolhida onde cursou Educação Artística na Faculdade Paulista de Arte e especializou-se como percussionista. Em São Paulo também teve aulas com alguns nomes expressivos, entre eles Rubens Barsotti, integrante do Zimbo Trio e uma de suas referências.
Ao retornar a Londrina, em 89, ingressou como percussionista da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina, onde permanece até hoje. Voltou também para as aulas de bateria e percussão e, nesse meio tempo fez parte de alguns grupos musicais, entre eles o aclamado Jazzmania ao lado de Vitor Gorni, Paulo Wesley e Marcos Santos. Atualmente, atua como músico também no quarteto Londoner, na Big Band e no grupo Purojazz.
Aos 42 anos, Gilson Corsaletti tem um farto e irrepreensível currículo. Com um sorriso sempre estampado no rosto, conseguiu um adjetivo cada vez mais desdenhado por músicos da hora: prestígio. E como um mestre, tem autoridade o suficiente para aconselhar instrumentistas que desejam ou estejam entrando no mercado de trabalho. ''Seja honesto, pontual, tenha seu instrumento limpo e bem cuidado, seja solidário com seus colegas e em cada trabalho procure fazer o melhor que pode. Toque com amor!''. Apenas um dos ensinamentos contidos na cartilha de Corsaletti.
Serviço: O livro ''Ritmo - Método de Bateria'', de Gilson Corsaletti, está à venda a R$ 35,00 e pode ser adquirido nos seguintes locais: bancas Centrais, livarias Bom Livro (shopping Catuaí) e Gaudí (Royal Plaza) e Armazém do Músico. Ou diretamente com o autor através dos telefones (43) 3326.2130 e 9116.0852