BATENDO DE FRENTE - Balé acende de novo a polêmica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Francelino França<br> Reportagem Local 
O Ballet de Londrina voltou a ser alvo de polêmica na Câmara Municipal de Londrina durante essa semana por causa dos temas abordados no novo espetáculo ''Eternamente''. O vereador Jamil Janene (PDT) se pronunciou anteontem na Câmara e afirmou que irá protocolar um pedido de informações à Prefeitura sobre o valor da verba pública destinada à Fundação Cultural e Artística de Londrina (Funcart), entidade à qual o Ballet de Londrina está vinculado. O pronunciamento se deu a partir da opinião da estudante Viviane Prado Rosa que se posicionou contrária à opção estética adotada pela companhia londrinense, conforme carta dirigida à imprensa local.
''Nunca'', que estreou no ano passado, discutiu a liberdade de dizer não diante das adversidade e o diretor optou pelo erotismo como forma de sobreviver às adversidades. Em ''Eternamente'', a companhia londrinense discute o processo da condição básica do homem, que não se transforma mesmo diante do novo, numa coreografia elaborada a partir do universo emocional dos intérpretes.
A reportagem da Folha2 procurou o diretor do Ballet de Londrina, Leonardo Ramos, que considerou a polêmica não um fato, mas uma deturpação de informação. ''O vereador está se baseando numa carta que está equivocada. A pessoa (Viviane) não notou que ela assistiu ao ''Nunca'', na primeira parte do espetáculo e ''Eternamente'' na segunda parte'', avisa Ramos. Segundo o diretor, em nenhum dia da temporada houve um público com 20 pessoas na platéia, conforme afirmou Viviane em sua carta.
Leonardo Ramos destaca que ''Nunca'' recebeu um público de cerca de 32 mil pessoas durante a temporada e turnê nacional, com críticas favoráveis e incentivo do programa Encena, da Funart. E ''Eternamente'' inicia a turnê nacional, começando por Belo Horizonte, nesta semana. Ramos afirma que ''Nunca'', e muito menos ''Eternamente'', incita ao uso de drogas ou homossexualismo, apesar do primeiro ser uma concepção que aborda o erotismo. O espetáculo teve classificação etária de 16 anos. ''O patrulhamento na arte é muito perigoso'', defende.
O vereador Jamil Janene concedeu voto favorável em maio de 2002 ao crédito adicional à ONG cultural Funcart, mantenedora do Ballet. Ele declarou à reportagem da Folha2 que se posiciona criticamente à posição que o Ballet de Londrina tomou, enquanto concepção artística, e não à cultura. ''Eu estou fiscalizando o dinheiro público. Enquanto falta dinheiro para creches, saúde e outras coisas, usa-se o dinheiro para uma coisa que não leva nada a Londrina''. Em relação ao voto favorável do vereador ao crédito adicional à Funcart, Jamil Janene diz que no projeto não estava escrito de que forma o dinheiro seria usado. ''Não assisti ao novo balé (Eternamente) e nem vou assistir, mas tem uma carta. Não preciso assistir para confirmar. Mas tá mostrando homossexualismo e prostituição. No ano passado, fui com minha filha assistir. Não quero que minha filha seja prostituta. Sou a favor da cultura, não ao incentivo às drogas e à prostituição'', defende. Segundo o vereador, ele se coloca favorável à utilização do dinheiro público, mas com acesso livre, sem censura. ''Se é para esse fim, então que se procure dinheiro particular'', prossegue.
Sobre a repercussão positiva do Ballet de Londrina em várias cidades brasileiras, o vereador disse que foi resultado da polêmica do ano passado, mesmo que o público do nordeste desconheça sua opinião. Jamil Janene afirmou à reportagem da Folha2 que estuda projeto de lei para que o executivo não conceda incentivo à produção de espetáculos com dinheiro público que contenha cenas fortes (?) e não considera essa postura como patrulhamento cultural. ''Tudo o que for de combate à droga, ao homossexualismo vou defender'', finaliza. A reportagem da Folha2 entrou em contato com a estudante Viviane Prado Rosa, que emitiu opinião sobre o assunto em cartas publicadas na imprensa, mas ela não autorizou a publicação das suas respostas.


