Nelson Sato
De Londrina
O mestre do horror tupiniquim chega hoje a Londrina. José Mojica Marins, vulgo Zé do Caixão, foi convidado para falar sobre sua obra na Unopar (Universidade do Norte do Paraná), a convite de alunos do curso de Marketing & Propaganda da instituição.
A palestra começa às 19h30 no auditório Alcides Bueno, seguida da projeção do filme ‘‘À Meia-Noite Levarei Sua Alma’’, rodado entre os anos de 1963-1964 e considerado pela crítica um clássico do cinema B. Mais conhecido pelo exotismo visual do que propriamente por sua respeitável carreira, o cineasta paulistano passa pela cidade na mesma semana em que será revelado o nome do ‘‘sucessor’’ de seu alter ego Zé do Caixão.
Mojica, 63 anos, está abandonando a figura depois de encarná-la por mais de três décadas em aparições públicas. Desde o ano passado, a revista Trip e o jornal Notícia Populares distribuíram cupons entre os leitores numa campanha publicitária para a escolha do substituto e também para selecionar a Mulher Superior, legítima companheira do personagem.
A finalíssima, gravada anteontem nos estúdios do SBT, vai ao ar no próximo sábado no Programa do Ratinho. Nada mais trash. Mas apesar da popularidade e prestígio conquistados nos Estados Unidos e Europa nesta década, Mojica continua marginalizado pelos mandachuvas do cinema brasileiro.
Ele nunca foi escalado para representar o País em festivais no exterior (todos os convites partiram dos organizadores dos próprios festivais). E só numa única ocasião foi convidado para concorrer em um festival de cinema em solo pátrio. Além disso, Mojica dirigiu dezenas de longas-metragens sem nunca ter recebido uma migalha dos orgãos oficiais.
Continua, paradoxalmente, um maldito. Sua trajetória é oscilante. Nos anos 60 provocou polêmicas, nos 70 foi perseguido implacavelmente pela censura, nos 80 caiu em ostracismo e finalmente nos 90 recebeu o reconhecimento. Mas, das novas gerações, só os obcecados conhecem a vocação múltipla de sua obra. Na biografia Maldito – A Vida e o Cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, lançada no ano passado pela editora 34, os autores André Barcinski e Ivan Finotti atribuem a Mojica o título de maior artista multimídia da história do País.
‘‘Quem mais’’, escrevem eles, ‘‘pode se gabar de ter feito sucesso em cinema, TV, rádio, livros, discos, revistas em quadrinhos, teatro, literatura de cordel e fotonovelas? Que outro artista do cinema brasileiro foi tão famoso a ponto de ter uma linha de cosméticos, sabonetes e xampus com sua própria marca? Quem já teve uma pinga batizada com seu nome?’’
Aos que duvidarem de tamanha polivalência, o livro traz um notável levantamento de toda a produção do artista. É nos Estados Unidos, no entanto, que seus trabalhos repercutiram com mais força do que no Brasil nestes anos de reavaliação de sua filmografia. Sob o pseudônimo de Coffin Joe, o cineasta virou mania dos apreciadores de ficção de terror.
Quando ‘‘À Meia-Noite Levarei Sua Alma’’ foi lançado lá fora, o editor da revista Shocking Imagens foi taxativo: ‘‘Não existem adjetivos suficientes para expressar quão excelente é este filme, embora eu possa afirmar que é o melhor filme de horror já feito.’’ É a cópia desta obra que Mojica traz a tiracolo para ser exibida em Londrina, logo após seu papo com os estudantes hoje à noite. Os ingressos estão à venda a R$ 5,00 no sebo Mário de Andrade, no Centro Comercial, em Londrina. Mais informações pelo tel. (43) 322-7867.José Mojica Marins, mais conhecido como Zé do Caixão, chega hoje a Londrina para dar uma palestra e mostrar um filme
ReproduçãoJosé Mojica Marins, o Zé do Caixão, está abandonando o personagem que encarna há três décadas, seu substituto será conhecido no próximo sábado no Programa do Ratinho

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