De tão audaciosos é impossível ficar apenas no primeiro. Assim são os livros do escritor Pedro Bandeira, 64 anos, que ontem participou de um bate-papo interativo com alunos do ensino fundamental do Colégio Universitário e do Marista. O escritor, ''santista'' duas vezes (nasceu em Santos e torce para o Santos Futebol Clube), esbanja vitalidade e quando falou, sentado em cima de uma pequena mesa, manteve atentos cerca de 600 alunos do Colégio Universitário e 800 do Marista. Ele consegue criar um clima muito confortável e íntimo com as crianças coisa rara em se tratando de adulto e elas não se intimidam: além de elogiar a beleza dos seus livros (e elas sabem todas as histórias de cor e salteado!), questionam, perguntam e demonstram uma desenvoltura precoce para a idade delas.
Já na primeira fala, Bandeira, ''de igual para igual'', e um especialista em suspense, conversa abertamente com as crianças:''Tomem cuidado. Agora não tem mais jeito: daqui em diante você não vão mais ser crianças. Não tem volta. Já não dá mais para serem ingênuos. Nas histórias dos livros, às vezes, uma pessoa parece má, mas não é, e nem quer te enganar. Sei que é difícil distinguir o que é bom, mas posso afirmar que escrever bem é difícil'', relatou o escritor.
Um dos questionamentos dos alunos foi se a história já ''nasce pronta''. Não, explicou Bandeira. Ela vem com uma base e as ''peripécias'' vão surgindo com o tempo, disse. E, assim, a criatividade vai ganhando asas na história da menininha, chamada Laura, que vendia desenhos com o intuito de comprar uma bolsa de presente para sua mãe (''As Cores de Laurinha''). Na verdade, ele acabou confessando que a história é a sua própria a troca de sexo é apenas um mero detalhe. Luta de gerações, ditadura militar, Aids também são alguns dos temas que o escritor, com genialidade e sabedoria, na opinião da grande maioria das crianças, vai desenrolando com maestria.
''Adoro a trama que ele cria. É raro ver escritores de livro infanto-juvenil escreverem tão bem. Temos os clássicos, como os livros do Machado de Assis, mas bons escritores modernos são raros'', disse com propriedade o aluno Danniel Andrade Ogava, 14 anos.
Com 75 livros lançados, Bandeira pode se orgulhar da conquista de 8,5 milhões de cópias vendidas, segundo a assessoria de imprensa do evento, principalmente em um país com um grande volume de analfabetos funcionais. Para quem ainda não está familiarizado, o termo se refere a pessoas semi-alfabetizadas que não foram capacitadas a apreender o texto, abstrair o conteúdo e fazer inferências sobre o assunto exposto.
Bandeira, que já trabalhou em teatro profissional como ator, diretor e cenógrafo, e também como redator e editor de comercias de televisão, desde 1983 dedica-se aos livros. ''Somos um povo burro, que foi educado para ser preguiçoso. Continuamos exportando aço e importando geladeira. Vivemos uma 'história da ignorância'.'' ''A chave da revolução está na educação, aí está a mudança do futuro. Tenham ânimo para estudar. Ser burro é chato'', destacou.
Bandeira já recebeu diversos prêmios como Jabuti, Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), Adolfo Aizen e Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.
Entre os seus livros estão: ''A Droga da Obediência'', ''O Fantástico Mistério da Feiurinha'', ''A Droga do Amor'', ''Droga de Americana'', ''Pântano de Sangue'', ''Anjo da Morte'' e ''Karas'', os cinco heróis jovenzinhos que se metiam em profundas enrascadas por tentar salvar algo ou alguém. Os livros podem ser adquiridos na maioria das livrarias da cidade. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (43) 3338-7080.

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