BATE-PAPO - Educação mutante
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de fevereiro de 2006
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Educação não pode ser um tema estático e tampouco rígido, que não admite mudanças ao longo do tempo. Pelo contrário. O assunto deve ser revisto tantas vezes quanto se nota a defasagem e a insuficiência das técnicas aplicadas. E os especialistas sabem disso. O psiquiatra e escritor Içami Tiba, um dos nomes que lideram a lista dos livros mais vendidos no País, por exemplo, está atualizando oito de seus 16 livros, com previsão de lançamento em breve. No dia 14 de fevereiro, em São Paulo, é a vez do relançamento de ''Disciplina, Limite na Medida Certa: Novos Paradigmas'', que foi totalmente revisto pelo autor. ''Eu poderia ter escrito meu 17º livro, mas não quis. Estou optando por rever os livros anteriores porque meus leitores precisam saber que a maneira de educar muda'', disse o autor em entrevista ao Folha 2.
Ele esteve em Curitiba na última quarta-feira para ministrar um palestra que ganhou o mesmo nome do livro que será relançado. E se impressionou com a quantidade de professores que compareceram ao evento: mais de 600. ''As pessoas estão muito interessadas nesse tema porque sabem que a educação no País precisa mudar. Não importa se nas escolas particulares, estaduais ou municipais. Os professores devem se desvincular do salário. A função é nobre e quem não está interessado deve abandoná-la'', declara. E dentro desses novos paradigmas da educação, Tiba salienta o que deve ser levado em consideração: o aluno deve sair da classe melhor do que entrou.
Para o escritor, educação vai além do conteúdo, é aquilo que o professor constrói na relação com o aluno. ''Os professores costumam me perguntar o que devem fazer para serem ouvidos. É simples: devem escutar o aluno'', ensina. Segundo Tiba, o professor deve aprender a ouvir o estudante para tornar a convivência em sala mais agradável e dinâmica. ''Do jeito que está, ele (o professor) precisa aprender a lidar com a concorrência. A aula é mesmo sem graça se comparada a internet, por exemplo'', conta.
E se você não é professor e acha que não tem nada a ver com o tema, enganou-se. Tiba conta como é cada vez mais comum as famílias ''empurrarem'' para a escola a função de educar os filhos. Mas o tema já foi desvendado por ele em livros anteriores e, por isso, tem opinião categórica: ''Filhos são para sempre. Alunos são transeuntes curriculares. Os pais não podem jogar uma coisa definitiva nas mãos de algo que é passageiro.''
Içami Tiba acumula quase 40 anos de carreira e tem cerca de 1,5 milhão e meio de livros vendidos. Numa recente pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Psicologia e realizada pelo Ibope, ele aparece como o terceiro nome mais pesquisados na internet, perdendo apenas para Freud e Jung. Toda essa popularidade rendeu ao escritor um programa de televisão, exibido na Rede Vida. O programa ''Quem ama educa!'' é dividido em duas partes, na primeira Tiba aborda um tema específico e no segundo responde e-mails do público.
Tiba revela que as principais perguntas rondam as dúvidas de pais sobre a educação das crianças. ''Os pais não sabem o que fazer. As crianças de hoje estão muito espertas e os pais não estão sabendo educá-las'', conta. E quanto a essa complicada questão, Tiba opina: ''Os pais precisam recuperar a autoridade, mas precisam saber que autoridade não é simplesmente mandar. Os filhos precisam respeitar os pais para ouvi-los''. Parece simples? Bem, a dúvida de como educar persegue dez entre dez pais de crianças, adolescentes e - por que não? - adultos. Tanto que Içami Tiba acumula cerca de 1,4 mil e-mails para responder sobre esse questionável tema. Será que existe uma resposta?


