O teólogo Leonardo Boff, catarinense, 59 anos, é uma figura ímpar e múltipla dentro da intelectualidade brasileira. Ímpar, por ser um dos criadores de uma ideologia libertária terceiro-mundista - a Teologia da Libertação - no qual questionava o papel da Igreja como espectadora dos dramas sociais. Boff atordoou a cúpula do Vaticano com a publicação do livro ‘‘Igreja: Carisma e Poder’’. Em função dos ‘‘erros’’ contidos no livro, os holofotes da imprensa mundial foram direcionados para ele em 1984, quando prestou esclarecimentos ao Santo Ofício. Como intelectual múltiplo, ele atua como professor de teologia, filosofia, espiritualidade e de ecologia, sem restringir seus pensamentos ao ensinamento judaico-cristão.
Por mais de 20 anos, vestiu a camisa dos franciscanos em Petrópolis (RJ), o tradicional hábito marrom apenas em ocasiões especiais. Escreve com assiduidade, e seus livros, traduzidos para vários idiomas, combinam o alerta das questões sociológicas emergentes com a busca de um mundo mais fraterno. Sua abordagem está sempre em conexão com a prática política. Atualmente, Leonardo Boff dá cursos em universidades brasileiras e estrangeiras e também assessora comunidades de base.
Em São Paulo, no lançamento do livro ‘‘Saber Cuidar - Ética do Humano - Compaixão pela Terra’’, Leonardo Boff conversou com a Folha2. Suas preocupações convergem para o descuido do homem em relação ao seu habitat e seu semelhante. A seguir, a conversa com Leonardo Boff, numa tumultuada e barulhenta noite de autógrafos.
Como você maturou a temática do seu livro, que basicamente propõe a mudança de ética sobre o planeta e sobre nós mesmos?

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