'Batalha das Mina' estreia com arte para todos os gostos
Evento no Canto do Marl teve música, artesanato, brechós, campeonato de skate e gastronomia para, segundo elas, unir mais as mulheres
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de março de 2020
Evento no Canto do Marl teve música, artesanato, brechós, campeonato de skate e gastronomia para, segundo elas, unir mais as mulheres
Walkiria Vieira - Grupo Folha 
A 1ª edição da "Batalha das Mina Londrina" foi realizada neste domingo (15), no canto do Marl - Movimento dos Artistas de Rua de Londrina com diferentes propostas de arte. Além da batalha de rimas, a programação atraiu com brechós, campeonato de skate, discotecagem, graffiti, dança, comércio de doces artesanais e pocket shows. Também houve espaço para o slam, competição de poesias faladas que aborda questões da atualidade para debate.
Organizadora da batalha e cantora de rap, Amanda More, 29 anos, destaca que a principal característica da proposta é o fato de ser feita para mulheres e por mulheres. Inspirada pelo Manifesto Feminino Elahs Crew, a cantora reforça o quanto a mulher é forte: "Sobretudo o nosso poder de nos reinventar e de fazer tantas coisas, mesmo diante da marginalidade e da agressão que existem". De seu ponto de vista, o rap é uma forma de expressão e o formato do evento é para que as mulheres saibam que contam com um suporte.

A modelo Alícia Gomes, 21 anos, apoia a iniciativa e sua presença tem sentido. "A luta da mulher preta é ainda mais sofrida e o apoio das mulheres brancas significa muito. Eu gosto de me envolver, vejo esse movimento como um ato de liberdade e uma prova de que estamos conquistando espaço para unir outras pessoas. Acredito também que existem momentos em que temos que chorar para tomar fôlego e poder seguir", reflete.

Estudante de Pedagogia da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Alice Cristina Bandeira de Oliveira, 23, reservou o domingo para prestigiar as mulheres, mostrar novidades a quem já a conhece e apresentar as suas bonecas Abayomi. "A palavra abayomi significa encontro precioso e assim vejo esse momento com tantas mulheres, cada uma com seu trabalho. Eu ofereci oficinas de bonecas enquanto bolsista junto ao Neab (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros), e mesmo com o fim do vínculo, sigo com esse artesanato, pois acredito nos laços e na lição - por detrás da boneca de retalhos - e seu valor". Foram muitas as experiências da estudante. "A identificação da criança com a boneca negra, desperta sentimentos muito positivos nas crianças. Cheguei a ouvir que aquele era o melhor dia da vida da menina ao se reconhecer com a boneca que se parecia com ela", recorda.
Uma rima contra discursos mentirosos
"Você engana a sua plateia para enaltecer o que não tem". Expor algo que está errado na sociedade por meio de sua música é a ideia da rapper Mel Casarini, 22 anos. Com o microfone em mãos, a jovem explica, com rimas, o quanto a influência negativa é traiçoeira e, infelizmente, encontra quem lhes dê ouvidos. "Isso acontece em todas as áreas e até a fofoca funciona assim - com a invenção de algo que não existe para ganhar notoriedade em cima dos outros", expõe.
Praticante de skate, Ayumi Myabe, 21 anos, é de Apucarana. Além de valorizar toda a estrutura montada no evento para a modalidade em que causa grande admiração, Myabe prestigiou as demais presentes e incentivou as demais a subiram na prancha sobre rodas: "Eu era muito ansiosa e vejo como a atividade faz bem para o corpo e para a mente.

Com identidade, a DJ Nate Monaco, 27 anos, levou entretenimento ao programa de domingo. "Democrático, acessível e um lugar onde podemos nos juntar, fazer arte e criar, juntas, uma estrutura melhor e mais forte onde todas ganham", resumiu o encontro.


