O Coletivo Batalha da Leste, movimento cultural que se tornou um pilar de resistência e arte na Zona Leste de Londrina, alcançou uma façanha sem precedentes para o Hip-Hop paranaense. O grupo consolidou-se na 6ª posição da classificação geral nacional no Prêmio Nacional Vozes Periféricas, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República.

Com a impressionante nota final de 99,1, o coletivo superou centenas de iniciativas de todo o país, reafirmando que a arte produzida na periferia de Londrina possui excelência técnica e impacto social de nível federal.

Como reconhecimento por esse desempenho de destaque, a representante oficial do coletivo, Loraine Aparecida de Oliveira, e o organizador Eliabe José da Silva (conhecido como Balão), viajaam para São Paulo na próxima sexta-feira (3). Eles participarão de uma cerimônia oficial de premiação a convite direto do governo federal, onde o coletivo será celebrado ao lado dos maiores expoentes da cultura urbana e das rimas do Brasil.

OCUPAÇÃO E RESISTÊNCIA

A história da Batalha da Leste começou em agosto de 2022, de forma orgânica e sem estrutura, na Praça Acquaville (Praça MRV). O que nasceu como uma simples roda de rima evoluiu rapidamente para um dos maiores circuitos de batalhas do Sul do Brasil. O lema do grupo, "A favela não é carência, é potência", resume a transformação operada no território: um espaço público antes ocioso e marcado pela insegurança foi convertido em um polo de convivência familiar, lazer e organização comunitária que reúne, semanalmente, cerca de 500 pessoas de todas as idades.

A relevância do movimento ultrapassou as fronteiras físicas da praça. Hoje, a Batalha da Leste é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná. No ambiente digital, o alcance é massivo, somando mais de 6 milhões de visualizações em suas plataformas, levando a identidade da "quebrada" londrinense para o mundo.

A Batalha da Leste, que já criou até um selo musical, é considerada um dos maiores circuitos de batalhas do Sul do Brasil
A Batalha da Leste, que já criou até um selo musical, é considerada um dos maiores circuitos de batalhas do Sul do Brasil | Foto: Matheus Jards/ Divulgação

INCLUSÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO

O coletivo diferencia-se pela profundidade de suas ações sociais. Um dos pilares de sua trajetória é o projeto "Treino Delxs", uma rede de apoio e acolhimento exclusiva para mulheres cis, trans e pessoas não-binárias.

Realizado todos os domingos antes das batalhas principais, o projeto garante um espaço seguro para que grupos historicamente marginalizados ocupem o protagonismo na cena do freestyle.

Além do impacto social, a Batalha da Leste investe na profissionalização da arte periférica por meio da Daleste Records. O selo musical já lançou 10 músicas e produziu diversos videoclipes, inserindo talentos locais no mercado fonográfico. Outro marco histórico foi a ocupação do Teatro Ouro Verde, onde, pela primeira vez em décadas, as batalhas de rima subiram a um dos palcos mais tradicionais do estado, quebrando barreiras entre a cultura erudita e a arte de rua.

Leia mais:

FOMENTO À ECONOMIA LOCAL

O impacto do coletivo é também econômico. A regularidade dos eventos semanais transformou o domingo no dia de maior faturamento para os comerciantes locais, trailers de lanches e vendedores ambulantes da região.

O prêmio de R$ 30.000,00 conquistado neste edital será reinvestido para fortalecer essa infraestrutura, permitindo a continuidade das oficinas de rima, ações educativas e eventos tradicionais como o "Arraiá da Leste" e o "Dia das Crianças".

Para o Coletivo Batalha da Leste, este prêmio não é apenas um valor financeiro, mas o selo definitivo de que a cultura urbana é uma ferramenta vital de cidadania e desenvolvimento para o Brasil.

Fundada em 2022 em Londrina, a Batalha da Leste é um coletivo cultural que utiliza o Hip Hop, a rima e a poesia falada como instrumentos de transformação social, inclusão e valorização da identidade periférica.

* Com assessoria.

mockup