Batalha contra o medo
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de julho de 1997
Jackeline Seglin 
Esquiar não é nenhum bicho de sete cabeças. Mas dizer que é fácil não é o termo mais correto. O legal é encarar logo a chamada pista dos tontos, onde os iniciantes dão os primeiros passos sobre a pista escorregadia. O sufoco começa logo com as roupas e equipamentos. Por isso, o ideal é alugar tudo e aproveitar as dicas.
O kit-neve contém um macacão especial (ou calça e jaqueta apropriadas), botas, luvas, esquis (ou surf para snowboard), óculos e bastões. Fique tranquilo. A pessoa que alugar o equipamento vai dar vários toques e entregar o equipamento sob medida. Por isso, vão perguntar o número do seu sapato, seu peso (para ajustar o esqui) e dar uma bela medida em você para escolher a roupa.
A impressão que se tem quando sai do Ski Shop (loja que aluga equipamentos e roupas) é de ser um astronauta ou um robô. A roupa é um pouco incômoda e as botas... ai, as botas! Pesadas e apertadas. Parece mais um gesso no pé. Calma. Elas não foram feitas para andar, mas para esquiar e, portanto, não podem sair do pé. Então, o jeito é se equilibrar para não cair e tentar alcançar a entrada das pistas.
A segunda etapa não é menos complicada: tentar calçar os esquis sem cair. Com calma e a ajuda de um instrutor, logo dá para se equilibrar. O primeiro tombo é desconcertante (a impressão é que todo mundo está olhando pra você). O segundo, é divertido e você até consegue dar umas risadas. Já no terceiro, a vontade de ficar em cima dos esquis torna-se maior que o medo de cair.
Mas isso é apenas o começo. Agora é a vez de aprender a esquiar em linha reta, depois em uma leve descida, aprender a fazer curva e, o principal, a frear. Sem essa parte, é melhor permanecer onde está ou vai arranjar boas contusões. Depois do domínio básico, é hora de encarar o lift (meio de elevação dos esquiadores) e ir para uma pista mais ousada. Mesmo com o instrutor, o medo volta com toda força, principalmente por causa da inclinação da pista, que mal permite que o novato se equilibre. Fim de aula e o instrutor vai embora. Como é que eu saio daqui!. Não adianta se apavorar: o jeito é ir para o lift e encarar a subida (agora com os esquis). A rampa de aterrissagem assusta, mas nem sempre derruba.
No terceiro dia, sem escapatória. O lift já não é problema e a pista verde (a mais fácil) é descida numa boa. Agora é a vez de descer mesmo, fazendo curvas, brecando e, por que não, caindo. Uma sensação boa supera o medo, sem dúvida. Mas é bom não abusar: é só o começo. Aquelas feras que passam ao seu lado jogando neve pra cima de você têm muito chão percorrido.
O esquiador deve, ainda, respeitar as condições metereológicas, o estado das pistas e da neve. Sem se esquecer da sinalização e do nível de dificuldade das pistas.


