ilustração Arionauro/Carta Z NotíciasEnquanto os jogadores se esfalfam nos campos de futebol, outra batalha acontece a poucos metros de distância: a dos repórteres que ficam à beira do gramado. Com um microfone nas mãos, um ponto eletrônico no ouvido, conectado com os narradores, e acompanhados de um cinegrafista, os repórteres de campo buscam saciar a curiosidade dos espectadores e garantir a audiência de suas emissoras. Para cativar o público, cada um desenvolve seu estilo, sempre temperado com uma dose de emoção.
Os rompantes emocionais são a tônica nas transmissões do SBT. O repórter Luiz Ceará admite que abusa da exaltação para cativar a audiência. Um exemplo maior disso aconteceu na Copa de 94, quando o Brasil se sagrou tetracampeão ao vencer a Itália nos pênaltis. Ceará, que estava atrás do gol de Taffarel, chorava feito um bebê no microfone.
Preparo físico é fundamental para uma boa transmissão. É o que garante o repórter Mauro Naves, da Globo. Afinal, em uma decisão, quem correr mais rápido chega primeiro no melhor atleta e tem mais chances de obter um depoimento exclusivo. ‘‘E o narrador sempre pede para falar com o atleta que está no lado oposto do campo’’, conta Naves.
Além do condicionamento, a intimidade obtida durante a cobertura diária dos treinamentos fez com que Roberto Thomé, da Globo, ouvisse um comentário exclusivo de Dunga. Foi em La Paz, na Bolívia, na final da Copa América, a 3.600m de altitude. No fim do jogo, Thomé deu um pique e ouviu, ofegante, Dunga se queixar de um companheiro que foi substituído no jogo. ‘‘Ele disse que o Flávio Conceição amarelou’’, entrega Thomé.
Molhando o celular - O predomínio dos computadores com informações virtuais, como a velocidade de chutes, vem diminuindo a importância dos repórteres da Globo. Nos bastidores, porém, eles vão à forra. Considerando-se camarada dos atletas, o gaúcho Régis Rosing, da RBS, levou um banho dos atletas gremistas em pleno vestiário, após uma vitória. ‘‘Os guris me atiraram na banheira. Molhei até o celular, tchê!’, lembra Régis.
Diferentemente dos atletas, as torcidas não costumam ser amistosas com os jornalistas. Marcos Malafaia, da Globo, passou sufoco no jogo entre Botafogo e Universidad Catolica, do Chile, pela Taça Libertadores da América de 96. Irados, os torcedores chilenos cortaram o fio do microfone do repórter. ‘‘Tive de escalar o alambrado até chegar na cabine de locução’’, lembra-se.
Em matéria de ouvir palavrões, ninguém ganha de Ana Paula Rocha, da Manchete. Única mulher do ramo, Ana Paula é vítima constante do machismo. A moça até já se acostumou a pisar nos gramados ao som do indecoroso corinho da torcida. ‘‘Já nem esquento mais em ser chamada de piranha’’, garante Ana Paula. O pior mesmo fica na hora de fazer as reportagens nos vestiários. ‘‘Quando os jogadores me vêem tratam de se cobrir rapidinho’’, avisa.

mockup