Para retratar com fidelidade o início do século XIX, a equipe de produção de arte de ''Paixões Proibidas'', da Band, precisa fazer mais do que estudar o período. Eles tem de realizar também uma busca, nem sempre simples, por materiais que permitam compor um cenário e figurino que lembrem a época. E a garimpagem tem de ser rigorosa para se tornar convincente. Afinal, são os objetos e figurinos que ambientam a trama em um tempo que não existe mais. ''O interessante em um trabalho de época é retratar através das roupas, do mobiliário e do cenário o comportamento humano e os aspectos sociológicos que imperaram em um momento da história'', defende João Gomes, diretor de arte da trama.
A preocupação com a veracidade histórica marca ''Paixões Proibidas''. Simples janelas, por exemplo, dão indícios de como a sociedade era reservada, na época do Brasil Colônia apresentado na novela. Elas são quadriculadas, com ripas de madeira de fora a fora. ''Passa o sol, o ar, mas as famílias não têm janelas totalmente abertas porque querem se resguardar'', explica João Gomes. Para ele, o público gosta de ter respostas de ''como era?'' ou ''como funcionava?''. Alguns detalhes beiram o preciosismo. ''Ao lado dos alimentos, há fumo de rolo no cenário. É como se fosse a geladeira da época, porque ajudava a conservá-los'', conta, ao explicar que a produção faz o fumo de rolo com papel machê. Parte do mobiliário e dos objetos, no entanto, João busca na ''Mundo Teatral'', empresa do Rio de Janeiro que, desde 1910, faz a locação de peças antigas para teatro, cinema e televisão. Muita inspiração vem de pinturas de artistas como o alemão Johann Moritz Rugendas e o francês Jean-Baptiste Debret, que passaram pelo Brasil e retrataram a sociedade da época. O Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, é outra importante referência.
Já o figurinista Ricardo Raposo encontrou em outro pintor, o francês Dominique Ingres, referências para as roupas dos personagens. O mais interessante em um trabalho de época, segundo ele, é a possibilidade de cuidar de todo o processo. Bem diferente de uma novela passada nos dias de hoje, em que é possível vestir uma atriz com ''prêt-à-porter''. ''Aqui eu tenho de ir em busca do tecido, desenhar o modelo e fazer a roupa'', destaca. E, no caso específico de ''Paixões Proibidas'', até por falta de opção, tudo foi realmente confeccionado pelas costureiras da equipe. ''Antes da novela começar fui até Madri para comprar peças em uma loja de figurino. Mas não tinha nada referente à época'', afirma. Minucioso, Ricardo enfatiza detalhes que o seu trabalho revela, como as diferenças entre uma escrava de rua e uma escrava que trabalha em casa de família.
Rosália, da atriz Dani Ornellas, serve a família do poderoso Tadeu Dias, de Antonio Grassi e é muito querida por Teresa, de Anna Sophia Folch, a mocinha da história. ''Ela usa colares lindos e anda mais enfeitada porque recebe esses agrados da patroa. Uma escrava de rua não tem isso'', ressalta. Mas o figurinista chama a atenção para um fato importante: como a novela é uma obra ficcional, não tem o compromisso de ser 100% fiel à realidade, como se fosse um documento histórico oficial. ''A licença poética me permite algumas liberdades para criar'', justifica.
Em total sintonia com o figurino, está o trabalho do maquiador Guilherme Pereira, que tem no currículo novelas como ''Helena'', de 1975, na Globo, e ''Dona Beija'', de 1986, da extinta Manchete. Ele é taxativo ao listar as proibições. ''Aqui não tem batom e nem esmalte. As mãos não podem lembrar a existência de uma manicure'', afirma, ao lembrar que esses artifícios não existiam no passado. Quando a novela ia ao ar às 22 horas, cenas de nudez eram comuns, mas a marquinha do biquíni também não podia aparecer. ''Os atores eram proibidos de ir à praia e usavam filtro solar indicado por mim'', diz Guilherme, que é responsável também por criar efeitos de socos, arranhões e chicotadas nos personagens da trama.
Devidamente vestido e colocado no cenário, o elenco embarca na viagem ao passado e se apóia no trabalho da equipe de produção de arte para contar a história da novela. ''O personagem é interior e exterior. Roupas, cabelo e o lugar onde ele vive ajudam a compor e a desenvolver um papel'', defende a atriz Leonor Seixas, que interpreta Adelaide.

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