Olhar o mundo e a televisão por um ângulo diferente é um trunfo da trupe do Casseta & Planeta. Com facilidade para enxergar o lado engraçado dos fatos da atualidade e parodiar programas e personalidades de muita visibilidade, os humoristas estrearam na grade de programação da Globo em abril de 1992. Quinze anos depois, continuam agradando. Fazem graça - e crítica - sobre política, a mídia e as celebridades. De um jeito bem humorado, conquistaram a credibilidade do público. ''Quando algum acontecimento importante se dá no país, todo mundo quer saber o que vamos falar sobre o assunto. É muito bacana'', destaca Beto Silva.
Qualquer coisa e qualquer pessoa pode ser motivo de piada para os cassetas. Por isso, por um bom tempo muita gente sentiu-se intimidada em participar do programa. ''A Xuxa foi a primeira a topar e acabou dando um aval para que outros viessem'', conta Cláudio Manoel. O intérprete do popular Seu Creysson explica ainda que o grupo se impõe alguns limites. Eles têm liberdade de criação, mas com alguns filtros. ''Nossa intenção é fazer rir, e não ofender as pessoas'', diz.
No comando do Casseta & Planeta desde o início, o diretor José Lavigne chama atenção para a constante atualização do programa. Como o oxigênio dos quadros são os principais acontecimentos do Brasil e do mundo, o humorístico é naturalmente renovado. ''Quando troca o governo, por exemplo, metade dos personagens mudam. É um dos segredos para estarmos no ar há tanto tempo'', pontua, ao ressaltar ainda que uma das preocupações primordiais do grupo é não ser regionalista. Sempre em dia, com o passar do tempo eles conquistaram ainda mais espaço na emissora. Quando estreou, o programa ia ao ar apenas uma vez por mês e integrava a programação da ''Terça Nobre''. Em 1998, passou a ser semanal.
Entre tantas risadas, um momento totalmente sem graça marcou a trajetória de Beto Silva, Cláudio Manoel, Hélio de La PeÀa, Hubert, Marcelo Madureira e Reinaldo. No ano passado, em meio à cobertura da Copa do Mundo, faleceu Bussunda, o mais popular integrante do grupo. O riso cessou por um tempo. Mas foi justamente o programa que ajudou os amigos a enfrentarem a perda. ''Não pensamos em parar por nós e por ele. Mas sem dúvida, o grupo hoje é bem diferente do que era'', pontua Beto Silva.
Eles deram continuidade à caminhada, e depois de uma década e meia de programa, destacar momentos e personagens mais marcantes chega a ser uma tarefa cruel. Mesmo assim, eles arriscam palpites. ''As Organizações Tabajara e o Tabajara Futebol Clube estão entre os meus preferidos e do público também'', aponta Beto Silva. Já para Cláudio Manoel, um importante momento para o esporte brasileiro é inesquecível. ''Depois do penta, fizemos um desfile como se fôssemos da seleção. Foi legal'', relembra em tom de saudosismo.
Maria Paula, que se uniu aos moços em 1994 para substituir Kátia Maranhão na apresentação, com o passar do tempo começou a mostrar suas potencialidades como imitadora. São tantas personagens de novela parodiados que, ao ser questionada sobre a sua atuação inesquecível, ela também precisa de um tempo para responder. Depois de alguns segundos: ''adorei fazer a Maria Regina, que a Letícia Spiller interpretava na novela 'Suave Veneno''', afirma a moça, que já é considerada há um bom tempo uma representante feminina dos cassetas.

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