BASTIDORES - Duelo diário contra o tédio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de maio de 2007
Gabriela Germano<br> TV Press 
Há 12 anos, de segunda à sexta, Leda Nagle e a equipe que ela coordena têm o prazer de levar o ''Sem Censura'' ao ar na TVE/Rede Brasil. A jornalista não se contém ao dizer que adora comandar o programa. Mas assume que nem sempre é simples a tarefa de torná-lo interessante. ''Sempre precisamos de bons assuntos, com pessoas simpáticas e que agradem a um público amplo. Conseguir esse mix não é tão simples'', argumenta Leda, ao definir que a idéia do jornalístico é informar, educar e também alegrar. ''Não queremos chatear ninguém'', completa.
Leda conta que, na sala onde são feitas as reuniões de pauta, há um quadro com o nome dos convidados de cada edição. Quando ela vê que em determinado dia não há convidados muito atraentes, solta para o pessoal da produção: ''esse programa hoje micou, hein?! Acho que vou assistir à Sessão da Tarde''. É a maneira de incentivar toda a equipe a batalhar por um ''Sem Censura'' sempre atraente. Afinal de contas, ele conta com um público assíduo e que participa ativamente por telefone, e-mail ou fax. Só para se ter uma idéia, no primeiro trimestre de 2007, 40% das mensagens enviadas à emissora apontavam o programa como o favorito. Ele é o campeão de e-mails da TVE.
Tanta fidelidade do público faz com que a apresentadora já saiba de cabeça nomes de telespectadores de várias partes do país. ''Tem o fulano de Porto Alegre, a beltrana de Ribeirão Pires, o sicrano de Imperatriz, no Maranhão'', cita Leda. Na véspera da entrevista, ela comemorava o fato de um senhor enviar à produção o fax de número 2.060. E a jornalista ressalta ainda as dezenas de comunidades no Orkut sobre o programa e os encontros que esses telespectadores realizam. ''O pessoal se reuniu recentemente em São Paulo e pretendem fazer a próxima reunião no Rio'', destaca.
Apesar da grande interatividade, o ''Sem Censura'' esbarra em algumas questões orçamentárias. Não tem sequer um laptop na bancada. Os e-mails são impressos fora do estúdio e, a cada intervalo, são levados para Leda. Para atender aos inúmeros telefonemas, há uma única pessoa responsável. É Fabiana Ferreira, que consegue dar conta de uma média de 60 ligações diárias, durante as duas horas em que o programa é transmitido. Ela lembra que, por muitas vezes, tem de fazer também o papel de psicóloga. ''Quando há um convidado médico, liga gente chorando para falar que o filho tem aquele problema'', revela a moça. Ela precisa ainda ter bastante jogo de cintura para lidar com pedidos estranhos. ''Outro dia uma senhora ligou pedindo para tirarmos o programa do ar porque não estava passando na cidade dela'', completa.
Mesmo completando 30 anos de telejornalismo em 2007, há riscos a correr, barreiras a serem vencidas. Como os convidados que, de última hora, avisam que não irão. ''Aí tenho de estar preparada para mudar o programa quando ele entra no ar'', afirma a jornalista, destacando os imprevistos de um programa ao vivo. Ela confessa ainda que muitos participantes são ''experts'' nos assuntos que vão discutir mas, quando se vêem na tevê, travam ou têm dificuldade de se expressar. Nessa hora, é inegável, a experiência conta muito. ''O programa depende da empatia entre as cinco pessoas que estão na roda. Às vezes o elo acontece. Quando não, cabe a mim estabelecê-lo'', defende a jornalista que, em todo esse tempo de carreira, realizou incontáveis entrevistas que pretende reunir em um livro. É projeto ainda para este ano.


