Regina Martelli é a responsável pelo visual de cada jornalista da Globo. Há 11 anos como consultora de moda da emissora, a falante carioca se diverte ao relembrar casos inusitados nos telejornais ou mesmo ao detalhar o que pode ou não ser vestido em determinados programas. Avessa às regras rígidas, Regina demonstra a segurança de quem trabalha com moda há 27 anos, desde que começou a escrever sobre o tema para o jornal ''O Globo''. Quase três décadas depois, a jornalista garante que a ''ditadura do blazer'' - única roupa permitida para os jornalistas nos anos 80 - está cada vez menos severa. ''A vida se tornou mais casual e menos formal. O figurino acompanha essa tendência da sociedade sem perder a elegância'', explica, ajeitando os estilosos óculos de armação listrada.
Impecavelmente maquiada e com a postura sempre ereta, Regina emenda uma frase na outra quando conversa sobre moda. Primeiro, faz uma listagem dos erros que não devem ser cometidos pelos profissionais da imprensa, como unhas muito escuras, cabelos vermelhos, madeixas exageradamente longas ou roupas de cores fortes. ''Fico meio mãe, meio tia velha. Vejo se os apresentadores precisam de clareamento nos dentes, por exemplo'', exemplifica.
Diariamente Regina acompanha de perto cada telejornal da Globo e da Globo News. ''Não sou uma inglesa que fica com a bengalinha na cabeça das pessoas. Mas, quando vejo uma roupa que não tem nada a ver, falo mesmo'', avisa. Sua função é montar ''kits'' por estação para cada apresentador de todos os telejornais exibidos em rede nacional. Tudo com a ajuda de suas produtoras Lisa Mamedir, Denise Paulino, Nana Santana e Ana Lúcia Quintaes. Depois define a maquiagem e os cabelos com os especialistas da emissora. E finalmente Regina aconselha o que pode ou não ser usado como acessório. ''Sempre tem uma apresentadora que aparece com um brincão. Está na cara que não vai ficar bem. Tento contornar e avisar que ele pode chamar mais atenção que a notícia'', argumenta. ''Quando vejo uma transgressão, envio e-mail. Uma vez por mês aparece uma maluca de um jeito estranho. Aí o comentário é geral. Mas isso faz parte de quem se expõe na tevê'', minimiza.
Além de ficar ''controlando'' os ânimos e gostos dos jornalistas, Regina está sempre assistindo a todos os telejornais para ''garimpar'' falhas dos repórteres e poder corrigi-los. Mesmo assim, a consultora acredita que os jornalistas têm mais bom senso atualmente do que há alguns anos. Tanto que em programas mais informais, como o ''Fantástico'', produções do esporte ou mesmo no ''Bom Dia, Brasil'', as jornalistas podem substituir o terno por uma blusa de malha, muitas vezes até com cortes inspirados em décadas anteriores, como nos anos 60, que estão em alta. ''A apresentadora pode se vestir de acordo com seu estilo sem perder a credibilidade. Óbvio que roupas com babados vão passar a idéia de fragilidade'', acredita. Para a consultora de moda, alguns apresentadores têm personalidade mais forte, capaz de superar a ditadura da moda. ''Eles não seguem os padrões, mas são poucos'', desconversa.
Mas quando o foco sobe das roupas para a cabeça, Regina é categórica: ''Cabelão passa falta de credibilidade. O ideal é 'limpar' o visual. Cabelo com mais curto é sempre elegante. Estou louca para a Gisele Bundchen cortar o cabelo. Todas querem ter cabelão!'', diverte-se. Segundo a consultora, cada detalhe no rosto e no visual precisa ser pensado cuidadosamente. ''Até a sobrancelha é importante. Ela pode fechar uma expressão'', assegura Regina.

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