Vanessa Giácomo mantém os pés fincados no chão. O jeito simples e tranquilo da intérprete da Tóia, de "A Regra do Jogo", evidencia que ela passa longe de quaisquer afetações e vaidades que, muitas vezes, atingem o meio televisivo. E enxerga sua trajetória profissional – bem-sucedida, diga-se de passagem – como uma consequência de trabalhos que, ao longo dos anos, a fizeram amadurecer como intérprete. "Acho que eu vim bem devagar, apesar de ter começado com um papel grande. Uma personagem emenda na outra e você vai ganhando credibilidade a partir do momento em que começa a imprimir uma qualidade boa nos trabalhos", avalia.
Desde que estreou como a protagonista de "Cabocla", em 2004, Vanessa tem se mantido no vídeo com certa frequência. E acumulou papéis em produções como "Sinhá Moça", "Morde & Assopra", "Gabriela" e "Amor à Vida", entre outras.

Desde o início de "A Regra do Jogo", Tóia se mostrou uma heroína fora dos padrões folhetinescos por não ser frágil e correr atrás de seus objetivos. Mas, em determinado momento, a personagem apresentou uma ingenuidade que foi alvo de algumas críticas. Como você recebeu isso?
Eu recebo as críticas numa boa. Porque acho que as pessoas se envolvem tanto com a trama que acabam ficando com raiva do que você está fazendo. Acho que isso é natural em uma novela, até a história ser concluída. Estou esperando o desfecho que o João (Emanuel Carneiro, autor) vai dar.

"A Regra do Jogo" está entrando na reta final, mas o desfecho amoroso de Tóia ainda não foi de fato definido. Que tipo de repercussão do público você recebeu até agora em relação às tramas românticas de sua personagem?
Estou trabalhando tanto que não tenho muita noção. Mas a torcida do público fica dividida entre o Juliano (Cauã Reymond) e o Romero (Alexandre Nero). Depende do capítulo. Quando tenho mais cena com o Juliano, as pessoas torcem por esse casal. Mas, quando tenho cena com o Romero, as pessoas também gostam. Mas também existe uma relação muito forte entre o Romero e a Atena (Giovanna Antonelli) na história. E o Juliano é o grande amor da vida de Tóia. Então, acho que o público ficava sem entender por que minha personagem ainda estava com o Romero. Sempre é bom ter romance na novela para dar uma adocicada. Mas a minha parte, que é a da Tóia, cabe no drama mesmo, no desfecho da novela.

Como assim?
É mais importante isso, o drama em que a personagem está envolvida, do que com quem ela vai se relacionar. A grande chave de virada da novela é essa, como vai ser o desfecho do golpe que foi dado em cima da fórmula desenvolvida pelo pai da Tóia e que foi roubada pela facção. Acho que o desfecho está aí. E depois disso é que se conclui o romance da personagem com alguém.

Na pele de Tóia, você protagonizou várias cenas de ação. Alguma sequência, em especial, a marcou?
A sequência do barco eu achei a mais incrível. A equipe tinha me falado que eu poderia usar uma dublê, mas quis fazer tudo. Na hora da cena, eu mesma quebrei o vidro da caixa em que eu estava dentro. O que não estava nem programado.

E qual foi a reação da equipe nos bastidores?
Todo mundo se assustou com isso (risos). Falei: "Não me coloca em uma caixa afundando e com água entrando que eu vou querer sair". Comecei a ficar desesperada de verdade. Quebrei o vidro e a gente usou isso na cena. Vai dando um desespero porque você se pergunta como vai respirar e começa a realmente acreditar que aquilo é verdade.

Por ser sua primeira mocinha de trama das nove, a personagem está em um "patamar" diferenciado para você?
Acho que fui construindo a minha carreira com várias personagens muito importantes e que foram me transformando. Eu entrei muito nova, vinda do interior, como protagonista de uma novela, em "Cabocla". Era tudo novo para mim. Então, "Cabocla" foi, para mim, o grande divisor de águas porque foi onde eu me lancei. E depois tive vários papéis importantes, como a Aline de "Amor à Vida", a Malvina de "Gabriela"... São várias personagens pelas quais eu tenho muito carinho. E acho que fui amadurecendo como atriz. Com cada papel a gente aprende um pouco e dá uma renovada.

Você está há 12 anos na Globo. O que mudou em sua vida desde que estreou na televisão?
Eu não mudei absolutamente nada. Sou uma pessoa muito pé no chão e gosto de fazer tudo na minha vida. Odeio me privar. Mas, claro, cada um tem um jeito. Tem gente que ama se ver o tempo inteiro em revista, que tem essa necessidade. Eu não tenho realmente necessidade disso. Sei que é importante, sei que é bacana eu guardar uma revista com uma matéria legal que fiz, com a qual eu me identifique. Mas a necessidade de ter isso, eu não tenho. Eu gosto de uma vida simples.

Em que sentido?
Os meus momentos mais felizes estão na simplicidade, quando encontro meus amigos de infância, quando faço as coisas mais bobas do planeta. Se isso me faz feliz, então eu não vou deixar nunca de fazer.

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