Caraça, MG - ''A onça-parda frequenta o maciço inteiro do Caraça, a Serra Geral que vai de Catas Altas até Rio Acima, já perto de Belo Horizonte'', informa o biólogo Júnio Augusto dos Santos Silva, analista ambiental do Núcleo de Fauna Silvestre do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Minas Gerais. Na Serra da Piedade, no município de Caeté, há relatos de que apareceram também duas onças-pintadas, em agosto de 2002.
Que os turistas não se assustem, porque, assim como os lobos-guarás, as onças não costumam atacar as pessoas. ''A onça-parda come bezerros, cabritos e até cachorros, mas não vê a gente como presa'', disse Silva. Frequentador do Caraça há mais de 20 anos, ele nunca surpreendeu a fera por ali, nem de dia nem de noite, mas identificou as fezes dela no Tanque São Luís, a 300 metros do santuário.
''Quem topar com uma onça na trilha deve começar a gritar, fazer bastante barulho, porque é assim que ela vai fugir assustada'', aconselha o biólogo do Ibama. Segundo ele, não tem fundamento a crença de que a onça ataca pelas costas. ''Só conheço dois relatos sobre ataques a pessoas de onças-pardas ou pumas, uma vez nos Estados Unidos e outra no Canadá'', informou Silva, garantindo que isso nunca ocorreu no Brasil.
O Ibama, revela o biólogo, tem registrado com certa frequência a presença de onça-parda bem perto de zonas urbanas. ''Há pouco tempo, apareceu uma onça a cerca de apenas dez quilômetros do centro de Belo Horizonte.'' Quando uma onça começa a rondar currais e terreiros de fazendas, a grita é geral, pois as pessoas têm medo ou acham que é preciso matar o predador que ameaça os bezerros.
No caso dos turistas que percorrem matas e serras, a reação é outra porque hoje em dia eles têm consciência ecológica e querem preservar a fauna. ''No Caraça, achamos que todos são amigos da onça'', brinca o padre Sebastião.
Ele informa que, apesar da presença cada vez mais frequente da suçuarana na região, ainda não se tomou nenhuma medida para proteger os hóspedes da casa, um hotel-pousada que recebe mais de 50 mil visitantes por ano. ''Nossa orientação para quem cruzar com uma onça é mesmo que se faça bastante barulho e não sair correndo'', disse Consuelo. ''Porque correr poderia despertar o instinto de caça do animal.''
Outro conselho importante para quem pretende fazer ecoturismo no Caraça: andar sempre em grupo não apenas por causa dos bichos, mas também por precaução contra imprevistos. Além de quedas e outros acidentes, é perigoso alguém se perder nas matas. (J.M.M./AE)

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