Barra do Garças tem diversão na terra e no céu
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quarta-feira, 09 de outubro de 2002
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Barra do Garças Nem só de mistérios vive a região de Barra do Garças, cidade a 500 quilômetros de Cuiabá, estrategicamente colocada na divisa de Mato Grosso e Goiás, na confluência de dois rios: o Garças e o grande Araguaia. A natureza exuberante também leva os turistas ao encantamento quando descobrem os dois quilômetros de praias fluviais, uma opção de veraneio durante a estação da seca, que vai de maio a outubro. Passeios de barco, com direito à pesca e ao avistamento de botos, dão a medida da beleza do lugar que ainda conta com o Parque Estadual da Serra Azul, com 11 mil hectares, a apenas quatro quilômetros da cidade.
A serra, considerada uma ramificação do Roncador, abriga cachoeiras e grutas, às quais se chega através de trilhas abertas entre a vegetação do cerrado. Entre as grutas, a mais famosa é a dos Pezinhos, que tem este nome por conta dos pés de vários tamanhos impressos nas suas paredes. Não há uma conclusão sobre a origem das pegadas nem pesquisa sobre a data de seu aparecimento. Os moradores e os guias turísticos supõem que o chão da caverna se levantou por conta de um movimento sísmico.
A hipótese de um descolamento das camadas geológicas ter removido a camada de pedras transformando o chão em parede parece lógica, mas só um estudo científico poderá comprovar o que realmente aconteceu. Por enquanto, os turistas se divertem fotografando as pegadas de até seis dedos, que induzem à suposição de que habitantes primitivos pudessem ter uma conformação física diferente. Mistério intrigante do cerrado, mas não o único.
No alto da Serra Azul, está instalado o Centro Integrado de Controle de Tráfego Aéreo Cindacta, com radares potentes destinados a registrar todo e qualquer movimento de aeronaves na região. A primeira pergunta dos turistas que visitam a área é sobre o avistamento de ovnis. Afinal, dentro do parque está instalado um dos locais mais curiosos de Barra do Garças: o discoporto (leia texto nesta página), onde fica também um marco do Centro Geodésico do Brasil. Os homens da Força Aérea Brasileira FAB, garantem que os radares nunca registraram qualquer movimento suspeito. Mas isso não impede que Barra do Garças, além dos místicos, seja reduto de sociedades ufológicas dedicadas a investigar a região considerada ''rota de discos voadores''. O mais antigo desses grupos é o Núcleo Araguaia de Pesquisas Ufológicas do Roncador Napur, fundado pelo suíço Ugo Oscar Luckner, já falecido. O núcleo continua ativo sob a presidência da viúva Tereza Luckner.
Fora dos círculos ufológicos, os leigos também se colocam como testemunhas de avistamento de objetos não identificados. Em toda a cidade é possível ouvir relatos de gente que jura ter visto uma nave do outro mundo. Normalmente descritos como esferas luminosas que mudam de cor e fazem deslocamentos rápidos e horizontalizados, os ufos de Barra do Garças parecem tão populares quanto os botos do Araguaia, fazendo a alegria dos contadores de histórias de uma das regiões mais fantásticas do Brasil.
Para quem está mais preocupado com as delícias da terra do que com os mistérios do céu, a Serra Azul oferece uma paisagem fascinante, entrecortada por cachoeiras que terminam em poços de águas cristalinas. As mais famosas são a das Andorinhas, da Usina, dos Guardiões, do Amor, Playmobil que ganhou o nome porque os adeptos do rapel consideram sua escalada ''uma brincadeira'' e a do Jaguar, considerada de difícil acesso. Visitar estes locais é uma aventura que pode demorar poucas horas ou até três dias de caminhada. Mas o esforço vale a pena.
Para quem prefere passeios menos rústicos, Barra do Garças oferece o Parque das Águas Quentes, que acaba de ganhar nova estrutura, graças a um investimento da Secretaria Municipal de Turismo. Área de camping e lazer, dentro do perímetro urbano, o local é um oásis de relaxamento com piscinas de água corrente com temperaturas que variam de 31 a 43 graus. Para completar, canais de água morna para serem percorridos preguiçosamente com bóias e um toboágua gigante. Passar um dia no local é um verdadeiro tratamento anti-stress.
Barra do Garças oferece cerca de 20 hotéis e pousadas. Também é possível ficar em campings e hotéis-fazendas da região. As agências de turismo têm pacotes que incluem ainda visitas a aldeias indígenas e áreas de garimpo, opção de esportes náuticos e muita pescaria. Afinal, o Mato Grosso é um dos maiores redutos de água doce do Brasil, com peixes que caem muito bem dentro dos pratos que fazem a delícia gastronômica da região. Nos restaurantes, é possível comer pintados soberbos e matrinchãs de dar água na boca. Tudo com muita pimenta e coentro. Não deixe de experimentar também o arroz de pequi, feito com uma frutinha típica do cerrado. Na sobremesa, compotas de caju ou carambola. Uma dose de licor vai bem para arrematar o paladar de forma ainda mais doce.
A jornalista viajou a convite da Secretaria de Turismo do Mato Grosso e Secretaria de Turismo de Barra do Garças, com apoio da Gol Transportes Aéreos e da agência de viagens Selltour


