Bares fictícios viram parte importante no enredo das tramas
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sexta-feira, 31 de maio de 2013
Alex Francisco<br>Folhapress 
São Paulo - Toda novela tem um ponto de encontro para seus personagens. Muitos desses locais ganham fama, recebem artistas e ficam na memória do público, como o saudoso Bar da Dona Jura, em "O Clone" (Globo, 2001-2002).
Além de ser um espaço de socialização, esses bares fictícios ganham importância no enredo das novelas. É assim em "Flor do Caribe" (Globo) e seu bar homônimo. O estabelecimento representa a evolução do personagem Cassiano (Henri Castelli). "Esse espaço vem para mostrar os novos objetivos do herói da trama. Ele se fortalece e acaba se tornando um homem de negócios, o que o ajudará na vingança contra Alberto [Igor Rickli]", conta Suzana Pires, uma das colaboradoras no texto da trama das seis.
O local serve também para aproximar a cantora Cristal (Moro Anghileri) de seu grande amor, Cassiano. Embora a estrela da casa seja fictícia, os músicos que a acompanham são reais e fazem parte da paulista Banda Azúkar. "Para manter o clima latino, estamos compondo exclusivamente para a novela", diz Leonardo Acevedo, um dos integrantes do grupo.
Na Casa Verde de "Sangue Bom" (Globo), o Cantaí é um tradicional bar paulistano com música ao vivo e deliciosas comidas de boteco. Segundo Claudino Mayer, doutor em teledramaturgia pela USP (Universidade de São Paulo), o bar da trama das sete é totalmente voltado ao público jovem. "É um espaço sempre alegre, sem violência e que incentiva o telespectador a buscar um local parecido na região onde mora. Mostra que, em meio a um cotidiano caótico, há um lugar para se divertir", diz. "Esse tipo de ambiente sempre estará presente nas novelas, pois também serve para dar uma pausa nos momentos de tensão", define o especialista.
Enquanto o Cantaí dialoga com o público jovem, na trama da Record, "Dona Xepa", o ponto de encontro atende o público que gosta de chorinho. No Chorivaldo, inspirado nos bares da Mooca (zona leste de São Paulo), Dorivaldo (Bemvindo Siqueira) vive cercado pelos amigos. "A função do bar é ser um espaço para a comédia. É lá que os divertidos moradores da Vila do Antigo Bonde se envolvem em situações hilárias", diz o ator.
Segundo o autor Gustavo Reiz, os personagens mostrarão o lado família do local. "O bar é a extensão da feira. Lá, não há privacidade. Todo o mundo fica sabendo de tudo, o que rende bons conflitos", avalia ele.
Assim como em "Flor do Caribe", na casa toca um grupo de verdade, o Bem Brasil. "Já nos sentimos personagens da família do dono do bar, que ama choro como a gente", comenta o violonista do grupo, Luiz Américo.


