Populares, botecos agradam pela simplicidade, qualidade dos produtos como bebida gelada e porções generosas. Referências também como pontos de encontro para o happy hour, no centro históricode Londrina três novos estabelecimentos com este conceito estão atraindo o público. Tratam-se do Orestes, na rua Pará, Bar da Maria e Boteco Central, na João Cândido.

Em comum eles têm o fato de terem se instalado em pontos comerciais que estavam desativados e agora chamam a atenção pela presença do público acomodado também em mesas do lado de fora, em um clima que reúne tradição, liberdade e descontração. Mais do que pontos comerciais, os novos estabelecimentos vêm ao encontro do movimento de revitalização do centro histórico.

É o novo enaltecendo a história, a memória e valorizando a urbes. A saída do trabalho, a passada no bar e o pôr-do-sol entram em uma sintonia que privilegia o movimento, o encontro de pessoas e a um pedacinho da boemia, ainda que a vida noturna seja diminuta.

Com identidade, o Bar da Maria e o Boteco Central têm se destacado e valorizado a paisagem urbana. Se do lado de fora, na calçada, o público ostenta alegria, na parte interna há mais para ver entre os frequentadores e a ambientação bem humorada. Enquanto Zeca Pagodinho posa de candidato a presidente da República na porta da geladeira do Boteco Central, as porções roubam a atenção pela aroma e apresentação no Bar da Maria. Uma combinação perfeita de comida e bebida.

Bolinhos, pastéis e conservas que compõem a essência dos botecos não faltam. Acompanhados da bebida servida no clássico copo americano, estão no cardápio vinagrete de polvo, ovo de codorna, tremoso, salsicha e picles para confirmar: estamos em um autêntico boteco. Quiabinho, coxinha de rabada, tempurá de jiló e linguiça são criações da casa e surpreendem.

Bar da Maria: o par perfeito do Boteco Central atrai centenas de frequentadores do happy hour à meia-noite e mudou a configuração noturna do centro histórico
Bar da Maria: o par perfeito do Boteco Central atrai centenas de frequentadores do happy hour à meia-noite e mudou a configuração noturna do centro histórico | Foto: Roberto Custodio

PARCERIAS

Em seu dia de folga, Maria Firmino, aquela que dá nome ar bar, dá o ar da graça para uma entrevista e conta um pouco de sua experiência para os leitores da Folha de Londrina. Com trajetória em outros bares, ela admite que está muito satisfeita com o sucesso de seu bar. Inaugurado em dezembro, segue uma dinâmica diária de funcionamento.

Na calçada, Maria dá entrevista e entre uma resposta e outra, dispara cumprimentos a quem passa. Ela já é reconhecida por seu carisma e forma de atender. A cozinheira divide sua jornada de trabalho apoiando todas as funcionárias e relata que a atuação como gestora não a amedronta. "Eu já tinha em outros estabelecimentos a posição de líder. Com respeito a todos e conhecimento da área, estou dando conta do recado", sorri.

Seu sócio, Pedro Cortez, conta que a abertura do Bar da Maria e a ideia de dar a ela essa oportunidade foram uma consequência de um trabalho que sempre deu certo. "Na qualidade de funcionária, a Maria sempre vestiu a camisa e participou dos processos, então nada mais justo que, além do bar trazer o nome dela e valorizar a figurina feminina, ser também um reconhecimento à sua trajetória e competência", considera.

Idealizador do estabelecimento, Elton Silva Matsuda, o Japa, ratifica o posicionamento. Responsável pela ambientação do Bar da Maria, Boteco Central, Bar do Japa, La Casita e Estúdio da Bruxa, explica que a ideia dos bares temáticos em Londrina vem ao encontro de sua vontade de empreender. "Tenho gosto pelo negócio, amo o que faço e acredito que as pessoas estão se permitindo novas experiências, sobretudo porque oferecemos produtos de qualidade de modo acessível", expressa.

Pedro Cortez, Maria Firmino e  Elton Silva Matsuda, o Japa, criaram botecos em sociedade com a cara do Brasil
Pedro Cortez, Maria Firmino e Elton Silva Matsuda, o Japa, criaram botecos em sociedade com a cara do Brasil | Foto: Walkiria Vieira

HAPPY HOUR

Pela primeira vez no Boteco Central, vizinho ao Bar da Maria, os promotores de merchandising Cristiano Gonçalves e Jean David contam que a visibilidade na mídia foi o que os atraiu. "Também viemos para prospectar uma possível parceira, pois essa característica de um bar para happy hour, onde as pessoas passam após o trabalho e logo vão para casa - e não um lugar para encher a cara - agrada. A arquitetura, a nostalgia e diferenciais como a caipirinha de três uvas vêm ao encontro de uma proposta excelente", expõem.

Cristiano Gonçalves e Jean David são clientes assíduos do Bar da Maria e do Boteco Centrale brindam à caipirinha de três uvas
Cristiano Gonçalves e Jean David são clientes assíduos do Bar da Maria e do Boteco Centrale brindam à caipirinha de três uvas | Foto: Walkiria Vieira

Natália Vieira e sua filha Rafaela já viraram clientes cativas com direito a provar quase todo o cardápio. A cada visita, Natália apresenta o Bar da Maria a um familiar e conta que planeja um almoço de domingo. "Junta mesa?", pergunta e Maria responde prontamente: "Opa, claro que sim".

Mãe e filha, Natália e Rafaela  já provaram todo o cardápio dos novos bares da rua Professor João Cãndido
Mãe e filha, Natália e Rafaela já provaram todo o cardápio dos novos bares da rua Professor João Cãndido | Foto: Walkiria Vieira

ORESTES: BAR COM CARA DE BAR

Novo no pedaço, o Orestes foi inaugurado em 30 de julho de 2025 e recebe grande número de clientes de Londrina, região e turistas - interessados em conhecer o botequim e provar suas criações. Para quem ainda não teve a chance de vistar, o Orestes é um bar com cara de bar. Assim o cozinheiro e proprietário, Marcelo Camargo, o apresenta.

Orestes é o nome do avô materno do proprietário. "Criamos um pequeno memorial da família com fotos em uma das paredes, com destaque para o Vô, além do violãozinho que pertenceu a ele e também está na decoração. Informal e democrático, Orestes foi concebido para deixar as pessoas à vontade. Elas podem vir de onde estiverem, do trabalho, do curso, da rua ou de casa, sem nenhum compromisso com vestimenta ou algo do tipo. Tem os que passam só para tomar uma única cerveja ou pegar um salgado, tem os que se reúnem para compartilhar um petisco de boteco no happy hour e tem os que ficam a noite inteira curtindo a casa" comenta.

Com um público variado no quesito faixa etária, Camargo destaca a predominância do público feminino. "O que mostra um alto nível de confiabilidade pelo espaço". Satisfeito com a opinião dos frequentadores, celebra que os elogios se somam. "Sobre o espaço físico, a qualidade da comida, cerveja sempre muito gelada, atendimento camarada e à localização privilegiada, no belo Centro de Londrina", divide.

A respeito da localização no centro, Camargo explica que não queria ter que se adaptar em um local sem vocação natural para bar. "O Orestes tem o privilégio de ocupar um espaço que não tem cara de outra coisa que não seja bar. E ainda fica numa esquina do centro da cidade, com tem pé direito alto e porta comercial de rolo. Mas também conta com outros elementos como balcão, iluminação e decoração típicos. Isso tudo é muito importante para a caracterização", pontua.

Orestes: bar na rua Pará é ponto de encontro de segunda a sábado e leva o nome do avô do proprietário
Orestes: bar na rua Pará é ponto de encontro de segunda a sábado e leva o nome do avô do proprietário | Foto: Roberto Custódio

UM GRANDE ACHADO

Camargo revela que o ponto do Orestes foi um grande achado. "Uma esquina no centro de Londrina, um ponto comercial de rua e dentro da região com permissão para mesas na calçada. Quando encontrei este lugar não tive nenhuma dúvidas, pois penso que é muito importante e contribui com a revitalização do centro da cidade", acredita.

Com perspectivas, Camargo declara-se: "O centro de Londrina é lindo, porém está um pouco abandonado com o fechamento de muitas lojas - o que se deve à concorrência com os shoppings e ao crescente aumento do comércio eletrônico", contextualiza.

"A chegada de novos bares no centro trouxe mais vida ao local, além de aumentar a segurança para os moradores e para as pessoas que passam. Estamos felizes em participar desse movimento em prol do centro", comemora.

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A fidelidade da clientela, segundo o proprietário fica principalmente por conta da comida de boteco, que tem muito sabor, bom aroma e uma apresentação agradável. "É essa nossa proposta", entrega.

Com mais de duas décadas de experiência gastronômica, Marcelo Camargo traz um alto padrão de qualidade e sabor no que prepara e um destaque é a coxa creme, salgado frito tradicional das padarias paulistanas. "Nosso cardápio todo é servido todos os dias, com o acréscimo da feijoada aos sábados, no almoço", acrescenta.

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