O melhor disco britânico do ano já está nas lojas do Brasil. ‘‘The Hour of Bewilderbeast’’ (Roadrunner), de Badly Drawn Boy, foi eleito o grande álbum da temporada pelo Mercury Prize, o mais prestigiado prêmio de música da Inglaterra.
Apesar da fraca concorrência, o disco esbanja mérito. Badly Drawn Boy, nome artístico de Damon Gough, não poupou inspiração para compor as 18 músicas de seu trabalho de estréia. O repertório é quase uma façanha diante da imensa maioria de CDs que chega ao mercado, trazendo em geral apenas duas ou no máximo três faixas dignas de nota.
Badly enfileira várias, a começar pela bela ‘‘The Shining’’, que abre o disco repleta de cellos, sax, vibrafone e violões. A balada ao piano ‘‘Magic in the Air’’ e a melodia delicada de ‘‘Pissing in the Wind’’ também empolgam. Badly é um homem de mil talentos. Compõe, canta, toca diversos instrumentos e ainda cuida da programação. Tem um pé no bucolismo folk, mas a variedade de texturas explorada nos arranjos vai muito além do formato voz/violão.
Ele é de Manchester, cidade industrial que já forneceu inúmeros verbetes para a enciclopédia do rock incluindo nomes como Buzzcocks, Joy Division e The Smiths. No disco, Badly teve a colaboração de outros músicos do selo indie Twisted Nerve, que bancou seu debut. Os irmãos Jez e Andy Willians, do grupo Doves, participam de duas faixas – uma delas, ‘‘Disillusion’’, é o atual single do vencedor.
Doves também foi indicado para disputar o Mercury Music Prize com ‘‘Lost Souls’’, um disco anêmico se comparado a ‘‘The Hour of Bewilderbeast’’. A estréia de Badly salvou o pop inglês da indigência.(N.S.)

mockup