Barcos especiais levam aos redutos dos jacarés
Manaus - Apesar de inúmeras vezes focalizado pelo programa ''Globo Repórter'', o encontro das águas dos Rios Negro e Solimões, que vão formar o Amazonas, ainda é um passeio respeitável, embora a surpresa dure poucos minutos. Por isso, os hotéis descobriram novas formas de diversão aproveitando os inestimáveis recursos hídricos da região.
Um dos mais interessantes é passear pelos braços formados pelos rios nos chamados clippers são grandes embarcações, que lembram versões bem reduzidas dos transatlânticos, mas oferecem um conforto respeitável. Equipados com cabines duplas com camas tipo beliche, ar-condicionado durante a noite, banheiro privativo, chuveiro, salão coberto com área para refeições, bar e biblioteca e deck panorâmico, esses barcos foram projetados especialmente para a navegação em rios.
Assim, por conta da forma de seu casco, os barcos conseguem entrar em áreas de pescaria mais remotas, o que permite a realização do grande passeio da noite: a focagem de jacarés. Acomodado em canoa motorizada, o turista tem a chance de entrar por canais estreitos (os chamados igarapés) e por florestas inundadas (igapós) em busca do animal.
Novamente, é imprescindível a presença de um guia que, munido de uma poderosa lanterna, consegue descobrir o refúgio do jacaré. O sinal é o brilho vermelho de seus olhos, que ficam assim em contato com a luz. A caça permite conhecer o outro lado da moeda à noite, o som dos animais é mais intenso, pois é o momento em que muitos saem à caça. O ar noturno é outro diferencial, graças ao incrível frescor. Os insetos, aliás, ''pensam'' da mesma maneira: por isso, não se esqueça do repelente.
Descoberto o jacaré normalmente é um jacaretinga, menor e de focinho mais largo, mas igualmente bravo , o guia, tal qual Indiana Jones, imobiliza-o pela pressão no pescoço, permitindo que o turista toque o animal e promova a tradicional sessão de fotos. Quando o bichinho já exibe sinais de cansaço, é hora de devolvê-lo ao rio.
Outro animal muito disputado é a piranha, cuja pesca é também opção de lazer. Na região, a espécie mais encontrada é a piranha-vermelha. Os guias gostam de contar que não é preciso navegar até o meio do rio em busca do animal ali, é mais fácil encontrar pirarucus e botos; as piranhas preferem as margens, onde há vegetação.
Coração de boi é normalmente utilizado como isca e basta lançar uma lasquinha na água que as piranhas chegam ''correndo''. Como reza a lei do ecoturismo, os peixes pequenos são devolvidos ao rio, mas as maiores viram sopa, preparada pelo hotel.
Durante os passeios, é comum encontrar pequenos barcos controlados por crianças que, em troca de moedas, emprestam seus bichos para que os turistas toquem e fotografem. Normalmente, as meninas trazem araras e os meninos, bichos-preguiça. Nada recomendável, mas quem consegue resistir? (U.B.)





