‘‘A ninguém surpreende escutar música popular brasileira em um aeroporto no Japão, em um grande armazém inglês ou em um café espanhol. Nomes como os de João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes já fazem parte da cultura geral do Ocidente. Pelo contrário, as letras brasileiras são, com pouquíssimas exceções, completamente desconhecidas.’’
Foi desse modo, com estranhamento, que o maior jornal da Catalunha, o ‘‘La Vanguardia’’, recepcionou a literatura brasileira, homenageada deste ano da Liber, a Feira Internacional de Livros da Espanha, realizada alternadamente em Barcelona e em Madri. ‘‘Uma ilha a explorar’’, escreveu sobre nosso território literário o articulista Llátzer Moix, na primeira das oito páginas do jornal dedicadas ao Brasil. Durante cinco dias, encerrados no último sábado, escritores, filósofos, tradutores e editores daqui tentaram explicar um pouquinho do Brasil em debates, colóquios e palestras na Universidade de Barcelona. Para grande parte do público, porém, a literatura brasileira continuou ‘‘inexplorada’’, mesmo com a presença de cerca de 20 escritores daqui. Voltada para editores, livreiros, distribuidores, bibliotecários e outras profissões relacionadas ao livro, a Liber só é aberta ao público no último dia.
Entre os escritores que foram à feira espanhola, estiveram muitos dos presentes nas homenagens que o Brasil recebeu em abril deste ano no Salão do Livro de Paris. É o caso de Carlos Heitor Cony, Nélida Pi¤on e Zuenir Ventura, participantes do primeiro debate da Liber, ‘‘A Literatura Brasileira às Portas do Terceiro Milênio’’.
Outra atração da 16ª edição da Liber foi o onipresente Paulo Coelho, que, assim como fez em Paris, aproveitou a feira para fazer um ‘‘jantar de gala’’. Comemorou agora os dez anos da publicação de ‘‘O Alquimista’’.C.E.M.

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