Bárbara Mendes dá show na 5ª eliminatória do Prêmio Visa de MPB
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 30 (AE) - Tem sido sempre bom e muitas vezes muito bom o nível dos candidatos das eliminatórias do 2.º Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal. Surgem, em alguns momentos, candidatos excepcionais. Mais uma voz fora de série foi ouvida na noite de segunda-feira - a da carioca Bárbara Mendes. Não apenas sua voz, mas a segurança, a graça, o repertório adequado ao estilo de cantar, a capacidade de imediatamente conquistar o público.
Ela foi a terceira candidata da noite, que teve início com a baiana Cláudia Dulth e o paranaense Otávio Vazzi. O carioca Marcelo Vianna fez a última apresentação. São sempre quatro candidatos por noite. A sexta e última eliminatória será realizada na segunda-feira, como sempre na Sala Rubens Sverner, do Teatro Cultura Artística, com entrada franca e início às 19 horas.
Não havia candidatos paulistas na quinta eliminatória, mas a platéia do Cultura Artística estava lotada. O público tem prestigiado o festival não para torcer por determinado candidato
seu conhecido, mas por haver descoberto que é ali que se está ouvindo boa música brasileira. "Vocês descobriram o melhor programa das segundas-feiras", brincou o maestro e presidente do júri Nelson Ayres, ao microfone, na abertura da noite.
É verdade. É onde se têm boas surpresas. Cláudia Dulth, de voz aspirada que fez lembrar, em alguns momentos, a da conterrânea Rosa Passos, foi melhor quando explorou os graves - como na abertura, quando cantou, a capela, "Canções e Momentos", de Milton Nascimento e Fernando Brant, ou no tom abolerado que imprimiu a "Só Louco", de Dorival Caymmi.
Os arranjos instrumentais não devem influir na apreciação dos jurados; a banda pode ajudar no bom resultado obtido pelo intérprete. Mas pode, também, atrapalhá-lo, por causa de concepção equivocada, volume, andamento impreciso, etc. Neste caso, rararamente o cantor, ou a cantora, consegue superar o problema. Otávio Vazzi não consegiu.
Seu canto, intimista, ficou escondido pelo volume da bateria, pela marcação dura do contrabaixo (que imprimiu um sotaque funk à marcha estilizada "Vitoriosa", de Ivan Lins e Victor Martins, tirando-lhe o molho, a sutileza), pela frouxidão do piano. Erro de concepção também cometeu Marcelo Vianna, neto de Pixinguinha, que dedicou seus quatro números ao avô. Marcelo ousou transformar o choro "Lamento" (letra de Vinícius de Morais) numa canção lenta, para a qual não tem a segurança vocal necessária. Foi melhor no samba "Yaô".
Oposto de tudo isso, Bárbara Mendes, que mora em Nova York, criou versões muito pessoais para clássicos como "O Que É
o Que É", de Gonzaguinha, ou "Linda Flor" - proeza de quem tem estilo formado, personalidade e sabe para onde quer andar. Bárbara não fez uma apresentação: deu um show, aplaudido como tal. Só faltou o bis.


