Barão Vermelho relê seus antigos sucessos
Iara Lessa
De Londrina
Especial para a Folha2
Depois da levada dançante de Puro Êxtase, a banda Barão Vermelho está de volta com Balada MTV - Barão Vermelho, que traz para os fãs velhos sucessos e apenas uma faixa inédita com roupagem diferente. O disco tem produção do próprio Barão além de Maurício Barros e Ezequiel Neves e é fruto da gravação do programa homônimo da MTV.
Segundo baterista Guto Goffi (que com Frejat divide as honras de ser o último dos moicanos da formação original da banda), a idéia era tocar músicas que foram pouco exploradas nestes 18 anos de estrada do Barão mas sem ficar preso ao formato acústico. Queríamos tocar as músicas que nõs gostamos mas tocamos pouco, como é o caso de Bilhetinho Azul, que a gente gravou no começo da carreira. Estávamos muito verdes, tocávamos mal, tínhamos poucos recursos, enfim, pudemos fazer quase que uma outra música. Ficou muito bom e foi uma delícia, disse ele em entrevista à Folha2
Para o baterista, o novo trabalho também ajuda um pouco a voltar às origens depois de tanta pegada eletrônica do disco anterior. Fazer esse disco (Puro Êxtase) foi legal por que era diferente, tínhamos que buscar soluções que não estávamos acostumados. Acredito que o Barão foi a primeira banda que, mesmo com a batida eletrônica, tinha ótimas letras, mas depois de um tempo aquela batida não trouxe mais nenhuma novidade. Agora estamos de volta com o nosso som, anuncia.
Aliás, foi a fissura pelos timbres dos instrumentos eletrônicos que fez com que o Barão insistisse em não gravar no formato acústico, que a MTV tanto tem apostado. Juntos buscaram outra solução e então surgiu o formato Balada, que deu origem a uma série de programas e estreou, é claro, com a performance do Barão.
Gravado em estúdio durante o mês de outubro, Balada... tem uma coisa muito boa: uma coletânea do Barão que não traz Beth Balanço. Mesmo assim Cazuza está presente nas faixas Bilhetinho Azul, Por que a gente é assim, Eu queria ter uma bomba, Todo amor que houver nessa vida e (uma espécie de homenagem que o grupo faz ao mestre) O Tempo não pára. As músicas trazem uma roupagem nova, como é o caso do Todo amor que houver nessa vida, que virou um regguaezinho bem bacana.
Tem ainda Raul Seixas (Tente outra vez) e Renato Russo (Quando o sol bater na janela do seu quarto). Fora os sucessos Pedra, Flor e Espinho, Pense e Dance e Puro êxtase (que quase não dá para reconhecer). A novidade fica por conta da inédita Enquanto ela não chegar, de Guto Goffi e Maurício Barros, que aposta no romantismo, bem balada mesmo.
O grupo agora aproveita o ano 2000 para dar o start na turnê nacional. Vamos batalhar este ano na turnê depois vamos parar durante todo o ano de 2001, revela Goffi. A parada estratégica deve-se a duas coisa. Primeira: o grupo nunca tirou férias em 18 anos. Depois: Frejat tem planos de gravar um disco solo. Acho que o Frejat está se sentindo pronto para esta aventura. Por outro lado, acho que o resto da banda precisa de um tempo. Ficar longe, curtir outras coisas. Vamos aproveitar enquanto o Frejat trabalha para colocarnos a casa em ordem. Depois, em 2002 nós nos reunimos de novo e vemos se vamos continuar ou não, revela Goffi, dando a dica que o Balada... pode ser o derradeiro trabalho do Barão.





