Bar também é cultura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de maio de 1997
Telma Elorza 
Ele foi inaugurado quando a rua Hugo Cabral ainda se chamava Ceará. Nasceu como uma mercearia. Mais tarde mudou de dono e de nome, virou Bar Brasil e se tornou um ponto de encontro dos jovens da cidade, que adoravam o sanduíche de pão com mortadela e tubaína. Hoje, 55 anos depois de sua inauguração, o Bar Brasil sofre nova transformação. Agora, além de ser o ponto de encontro de gerações, o bar também é Espaço Cultural, dando oportunidade para escritores, músicos e artistas em geral mostrarem sua produção.
O Espaço Cultural Bar Brasil começa com o lançamento do livro O Horror Está no Andar de Cima, da paulistana Irene de Souza Medeiros (leia texto nesta página), hoje, a partir das 18 horas, com noite de autógrafo. Segundo a proprietária do bar, Elaine de Souza Garcia, a idéia de o local dar espaço à cultura já vinha de algum tempo. Eu sempre quis fazer alguma coisa para agitar as tardes de sábado que, normalmente, não dão muita opção de lazer e cultura aos londrinenses. Além disto, temos todo este espaço físico que pode perfeitamente acolher literatura, poesia, vídeo, teatro e artes plásticas - conta.
Segundo ela, foi conversando com alguns pessoas da área cultural de Londrina que achou que o momento era adequado. Queremos dar espaço para os artistas londrinenses mostrarem seu trabalho. Londrina, infelizmente, é pobre em espaço físico para cultura. Além disto, muitos preferem a descontração de um bar ao formalismo de livrarias ou salas de exposições - afirma.
O mais antigo Elaine explica que a iniciativa de tornar o local um espaço cultural é também uma forma de promover o resgate histórico do bar, o mais antigo da cidade ainda em funcionamento. O bar está no mesmo prédio e funciona quase que sem interrupções desde 1942. Três gerações de londrinenses frequentam o local. Temos fregueses antigos que, de vez em quando, encontram os netos por aqui - conta.
Este encontro de gerações também já lhe deu a idéia de fazer um trabalho de pesquisa - talvez até mesmo um livro - para resgatar a história do bar. Mas ainda não encontrei quem possa me ajudar nisto porque acho que deve ter alguma experiência em levantamentos históricos - diz.
Para Pedro Oliveira Gomes, 57 anos, técnico em manutenção de equipamentos odontológicos e frequentador do Bar Brasil desde 1961, as idéias do espaço cultural e do resgate histórico são extremamente válidas. Por aqui passou praticamente todo o movimento estudantil. As faculdades de Direito, Filosofia e, mais tarde Odontologia e Medicina, ficavam aqui em frente. Os velhos frequentadores tem muitos casos e causos que aconteceram no bar. Seria interessante ver isto registrado. Afinal, Londrina só é sete anos mais velha que o bar - lembra.
Elaine diz que ainda não tem uma programação definida para o espaço mas que os interessados em utilizá-lo podem entrar em contato e agendar. Queremos ter uma programação diversificada e ocupar todos os sábados - adianta. Os interessados podem procurar as proprietárias Elaine ou Mara Tukumantel, no próprio bar a partir das 17 horas ou pelo telefone de contato (043) 337-2767.


