Banquete sonoro
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sábado, 28 de outubro de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Com um repertório ousado, leve e animado, que visa mostrar ao público londrinense músicas de festas profanas e palacianas dos séculos 13 ao 16, o grupo Ensemble Ars Nova, de Maringá, se apresenta hoje, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde. O concerto ''Banchetto Musicale'' encerra a IV Mostra de Música Histórica de Londrina, iniciada na última segunda-feira, e que marca os 11 anos do Projeto de Música Histórica da UEL da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Atuando desde de fevereiro deste ano, o Ars Nova é formado por quatro músicos: André Luiz Gonçalves de Oliveira (direção, flautas doce e percussão) ; Israel dos Reis (flautas doce e voz); Patrícia Mertzig (viola e voz) e Rafaela Fernandes (flautas doce e voz).
Com um repertório histórico que traz músicas cada vez mais polifônicas (com uma sonoridade muito diferente da tradicional e não tão popular como as cantigas) conforme as tendências da Idade Moderna nascente, o Ars Nova apresenta a exuberância da arte gótica, que no fim da Idade Média já prenuncia o gosto renascentista por uma beleza intelectualizada, culta, mas não sisuda; por uma arte alegre que se distancia da Igreja e aproxima-se das festas profanas, destacando composições instrumental e vocal-intrumental.
Nesse período, pelo crescente intercâmbio entre as diferentes regiões da Europa, as cortes realizavam concertos com músicos e músicas oriundos de diversas localidades. Para dar uma idéia dessa diversidade musical, o concerto de hoje está organizado por quatro regiões: Península Ibérica, Região de Paris, Flandres e Itália. Assim, tem-se um panorama da música do fim da Idade Média e começo da Moderna.
O critério de escolha se deu em função da representatividade do nome frente um estilo de local e época. Da Península Ibérica serão apresentadas peças do Cancioneiro de Palácio. Da região de Paris, peças de Guillaume de Machaut, o grande nome do século 14 em toda a região. Na Itália, a obra é de Francesco Landini, num tema anônimo bastante conhecido por lamento de Tristão. De Flandres, músicas de Guillaume Dufay e Gilles Binchois. Autores do século 15 que ampliaram as conquistas da 'ars nova' - termo que designa uma ''arte nova'', atribuído a Felipe de Vitry, que é sinônimo de uma preocupação técnica maior nas composições musicais com referência ao que tinha sido feito até então. O concerto encerra com os principais mestres flamengos do século 16: Clement Janequin e Orlando di Lasso. Para a apresentação de hoje serão utilizados flautas, viola de arco e instrumentos de percussão como pandereta, djembê e crótalos.
A formação dos músicos do Ars Nova é resultado do trabalho da ONG Associação dos Profissionais de Música de Maringá (Apromum), criada há um ano e meio. Com sede no Teatro Kalil Haddad, devido à parceria com a Prefeitura de Maringá, a organização conseguiu recentemente a aprovação pela Lei Rouanet de um projeto para a formação de uma orquestra filarmônica em Maringá. Atualmente a associação também atua com o Prima Prattica Consort, que visa um trabalho aberto à comunidade de iniciação à música antiga. Outra iniciativa da associação é a Orquestra de Câmara de Maringá, que faz sua estréia no dia 21 de novembro.
''Com a associação, estamos buscando realizar ações de médio e longo prazos para expandir o espaço musical tanto para a música erudita quanto para a popular. No caso da música antiga, estamos sendo pioneiros aqui em Maringá, e é uma grande emoção tocar em Londrina, onde, há 11 anos, comecei a estudar esse repertório'', afirmou o diretor do grupo, o músico André Luiz Gonçalves de Oliveira, que integrou a primeira formação do Grupo Neuma de Música Antiga, em Londrina.
Serviço:
- ''Banchetto Musicale'', com o grupo Ensemble Ars Nova, de Maringá. Hoje, às 20 horas, no Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos no local a R$ 10,00 e R$ 5,00.


