Bandoneón
BANDONEÓN
O bandoneonista argentino Rodolfo Mederos volta a Londrina e se apresenta com a Camerata Bariloche na Série Crystal Palace
Jackeline Seglin
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Considerada uma das melhores orquestras de câmara do mundo, a Camerata Bariloche fará uma apresentação hoje à noite em Londrina, com solo do bandoneonista, compositor e arranjador argentino Rodolfo Mederos. Esta é mais uma atração da Série Crystal Palace, marcada para as 20h30, no Teatro Crystal Palace.
O destaque do programa está na primeira parte do espetáculo, quando a orquestra, acompanhada de Rodolfo Mederos com seu bandoneón, executará Divertimento nº 3 em Fá Maior K 138, de Mozart; Bachiana Brasileira nº 4, de Villa-Lobos; Adios Nonino, de Astor Piazzola, e Suíte Gardeleana, de Carlos Gardel em parceria com Mederos. Na segunda parte, a Camerata de Bariloche vai interpretar Adágio, de Barber, e Sinfonia Simple op. 1, de Britten.
A interpretação dos 17 músicos da Camerata e sua intimidade com os instrumentos têm sido elogiadas pela crítica. Com aproximadamente 1.400 apresentações no currículo - nos Estados Unidos, Japão e em quase todos os países da Europa - a Camerata de Bariloche traz na bagagem muita experiência. São 28 anos de fundação que a possibilitaram ter como solistas nomes como Astor Piazzola, Yehudi Menuhim, Janos Starke, Karl Ritcher e agora Rodolfo Mederos. Representante da Argentina em diversos eventos mundiais, a Camerata ganhou diversos prêmios, como o de melhor orquestra de câmara na história da música argentina, em 1980.
A discografia da Camerata Bariloche inclui gravações pela Interdisc e CBS (Argentina), RCA (Itália), CBS, (Japão), Phonogram (Alemanha, Espanha e Japão), Pick-Swiss (Suíça), FSM (Alemanha) e Panteon Records (EUA).
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Rodolfo Mederos e a Camerata Bariloche: apresentação hoje em Londrina com programação que inclui Villa-Lobos e PiazzolaAtração à parte na apresentação desta noite, o tanguero Rodolfo Mederos promete encantar a platéia com seu solo de bandoneón. O herdeiro musical de Astor Piazzola é referência obrigatória na música instrumental de Buenos Aires. Depois de uma busca incessante por uma linguagem pessoal no âmbito da música popular denominada de câmara, iniciada aos 20 anos de idade, Mederos ganhou uma originalidade que o distingue dentro das propostas musicais contemporâneas.
Na opinião do compositor, nada pode existir se não tem conexão imediata, direta e profunda com as origens. Mas isso tem vigência também para mim. No meu caso, foi importante deixar de sentir a obrigação de ser vanguardista, poder tocar velhos tangos a la parrila, disse uma vez na Argentina. Esse espaço no qual a tradição pode interpretar-se como uma das formas da busca constante de um estilo próprio, é o lugar em que pode se situar a trajetória do bandoneonista.
Com o grupo Generatión 0, destacou-se quando associou o bandoneón a instrumentos como saxofone, flauta, guitarra elétrica, baixo e bateria (como fez Piazzola). Hoje, além do Quinteto Rodolfo Mederos - que se apresentou em Londrina no ano passado - o compositor faz músicas para concertos sinfônicos e filmes.
Aliás, a publicação argentina Página 12 já destacou que a estética de Mederos tem muito a ver com imagem ou, pelo menos, com o desenho do território de uma cidade cuja forma aparece delineada por sons múltiplos. A matéria comenta que existem casos em que um instrumento faz pensar, necessariamente, em um lugar especial. O acordeón e as valsas da margem esquerda do Sena, a gaita e a Escócia, a harmônica e algum cowboy tecendo suas recordações embaixo de uma árvore... Mas nenhuma identificação é tão clara como a do bandoneón e Buenos Aires, entre outras coisas, porque o tango é o único gênero em que esse instrumento pode impor-se e sobreviver. E depois de Piazzola, possivelmente nada superou Mederos ao converter esse fole numa paleta capaz de pintar, hoje, a cidade.
Rodolfo Mederos gravou oito discos e participou de projetos artísticos ao lado de Mercedes Sosa, Júlio Bocca, Daniel Barenboim e Joan Manuel Serrat, além de ter sido integrante das orquestras de Osvaldo Pugliese e Astor Piazzola.
Numa outra entrevista, no ano passado, Rodolfo foi questionado se, na época, achava-se mais tanguero. Ele respondeu: mais maduro. E completou: É que uma vez mais acontece o que dizia Troilo: o tango sabe esperar, não é uma música adolescente. Como qualquer arte que não é passageira, tem certas exigências, sobretudo de vida. E o ser humano está mais preparado quando vive. E isto pressupõe, entre outras coisas, tempo. Sempre digo que os jovens têm a vantagem, e nós que já não o somos tanto, o privilégio.
Série Crystal Palace apresenta Camerata Bariloche e Rodolfo Mederos. Hoje, às 20h30, no Teatro Crystal Palace (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Ingressos a R$ 10,00 antecipados e R$ 15,00 (na bilheteria). Promoção: Vivarte Produções Culturais. Patrocínio: Banestado, Sercomtel, Jabur Informática, Cultura Inglesa de Londrina, Crystal Palace Hotel, Panificadora Pão-de-Ló e Lei Municipal de Incentivo à Cultura.





