Banderas vai interpretar Ayrton Senna no cinema
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terça-feira, 18 de setembro de 2001
Milly Lacombe <br> Agência Folha 
Ele entra na sala e, ainda em pé, indaga se estou preparada para falar sobre sexo, imaginando que a pergunta fosse retórica. Não é. A reportagem avisa que prefere conversar sobre o filme que ele, Antonio Banderas, vai fazer sobre Ayrton Senna.
''Mas depois disso você vai querer falar de sexo, certo?'', questiona preocupado. Para tranquilizá-lo (a ele e a você, caro leitor), avisamos que sexo está definitivamente na pauta. Só então ele senta, acende um cigarro, arma-se de um copo de café e confessa que levar às telas a vida do piloto brasileiro é um de seus maiores sonhos. ''Trata-se não apenas de reconhecer a história de um campeão, mas, principalmente, dar dimensão universal à vida de um homem sem igual'', diz, avisando que não pretende fazer uma obra cujo cenário principal sejam pistas de corrida. ''Quero dar importância central ao ser humano que ele foi, e não ao piloto que todos conhecemos''. Banderas já esteve no Brasil para falar com a família de Senna, acertar alguns detalhes e avisa que a culpa pelo atraso na produção é de outro atleta extraordinário, Muhammad Ali. ''Michael Mann, que se mostrou interessado em dirigir a trama, foi filmar ''Ali'' e nosso projeto foi temporariamente interrompido'', diz sem ter certeza de quando eles conseguirão finalmente começar a rodar. ''Estamos trabalhando no roteiro e posso garantir que tratarei o ícone Senna com todo o carinho e respeito que ele merece''. Mas antes de se dedicar ao atleta brasileiro, ele esclarece que vai fazer um filme com Pedro Almodovar na Europa. E é exatamente aí que o espanhol acelera, passa por Senna e Almodovar e dá um jeito de jogar na mesa o nome Angelina Jolie, sua companheira em ''Original Sin'' que estréia nessa sexta no Brasil e foi adaptado da obra literária de Cornell Woolrich, Waltz Into Darkness. ''Quando li o roteiro e vi aquelas dezenas de cenas de sexo, uma mais picante que a outra, não acreditei que o cinema americano fosse se permitir explorar ângulos extremos e tipicamente europeus dessa forma''. Mas eles exploraram e, para muitos, ''Original Sin'' não passa de um filme repleto de situações sedutoras entre dois dos mais sensuais astros da Hollywood de hoje. Todos os dias, para se preparar para as tomadas íntimas, ele e Jolie conversavam por algumas horas no trailer dela, sempre interrompidos, conta, pelos constantes e regulares telefonemas do marido da atriz, o ator/roteirista/diretor Billy Bob Thornton. ''Eles estavam em começo de namoro e se falavam de cinco em cinco minutos'', contou o espanhol, que há alguns anos não tirava a roupa em frente às câmeras. ''Tenho que confessar que estava nervoso e apreensivo'', disse. Mesmo assim, quando a MGM ofereceu um dublê de corpo, ele prontamente recusou. ''Imagine se iria aceitar. Antes de mais nada, trata-se de Angelina Jolie, ora bolas. E depois, se faço minhas cenas de ação, por que recusar as de sexo?'' Já Angelina que se apresentou para as filmagens um dia depois de receber o Oscar de melhor coadjuvante por ''Garota Interrompida'', em 2000 não parecia estar nem um pouco preocupada com a constante nudez. ''Para ela, era como se estivéssemos rodando uma cena qualquer. Ela é absolutamente genuína e hoje entendo porque todo o fuzuê em torno de seu nome'', diz, lembrando que, apesar da atitude blasé, o terreno era também novo para a própria Angelina, que só havia feito cenas de sexo em ''Gia'', filme da HBO, e nele ela contracenava com outra mulher. Quando perguntamos sobre os comentários que Jolie teria feito nos quais dizia alimentar fantasias kamassútricas com ele e sua esposa, a atriz Melanie Griffith, Banderas jogou o corpo para trás, bateu palmas e riu incontrolavelmente. ''Ela disse isso? Que genial. Então dá licença porque tenho que fazer uma ligação''.


