São Paulo, 13 (AE) - Terminado o mês, caso se confirmem todas as estréias programadas, a TV Bandeirantes terá, definitivamente, deixado de ser o canal do esporte para tornar-se uma emissora para a família. No sábado, às 20 horas, estréia "Jogo Aberto", da ex-deputada Marta Suplicy, com debates sobre comportamento; no dia 24, das 13 horas às 15 horas
é a vez da ex-MTV Astrid Fontenelle apresentar o "Programão da Astrid", em que faz entrevistas dirigidas ao público jovem; e na primeira semana de agosto, dez minutos antes do programa "H", por volta das 21 horas, vai ao ar "As Aventuras da Tiazinha", com Suzana Alves, no qual a mascarada sexy enfrenta vilões.
Na linha do jornalismo chocante, estréia em duas semanas o "TV Verdade", festival de imagens de catástrofes estrangeiras e brasileiras. No segmento infantil, a emissora exibe há uma semana o "Clube do Barney", para crianças de 1 a 4 anos, e o "É o Bicho" para pré-adolescentes. Mas a produção mais esperada da Bandeirantes é o infantil "Grand Circo Marimbondo", que está sendo escrito por Flávio de Souza. O escritor já aprontou 90 capítulos e nas próximas semanas deve entregar os 30 restantes. Cada capítulo deve custar US$ 35 mil e a produção total, de cerca de US$ 4,2 milhões, deverá ser dividida entre a Bandeirantes e uma produtora portuguesa. A estréia está prevista para março. O programa, com uma hora de duração, é ambientado num circo pequeno que viaja pelo Brasil com uma turma de seis crianças, filhos dos artistas do "Grand Circo Marimbondo". Mais comédias - Em setembro, a Bandeirantes deve começar a gravar outras duas novas comédias de situação (sitcoms), a exemplo de "A Guerra dos Pintos" e "Santo de Casa", que a emissora produz em parceria com a Columbia. Também está prevista a produção de um game show para casais, co-produzido com a Sony. "O esporte passou a ser uma camisa-de-força", diz o presidente da Bandeirantes, Johnny Saad.
Em razão do aumento dos preços dos eventos esportivos em até 1.000%, passou a ser na verdade inviável. O Campeonato Paulista, por exemplo, que há três anos custava R$ 4 milhões, sai hoje por R$ 42 milhões. O novo valor inclui os chamados direitos de novas mídias: TV a cabo e DTH (sistema digital de miniparabólica). "Não se consegue ser uma grande rede com uma programação segmentada para o esporte", diz Saad. "É preciso atender a mulher, os jovens e as crianças".
"O custo de um jogo e o que se arrecada com a venda de anúncios resultam numa conta que não fecha", garante Saad. Considere-se que o formado do futebol (dois tempos de 45 minutos
com intervalo de 15 minutos) não é dos melhores para o Departamento Comercial da emissoras. "Enquanto num filme se encaixam sete ou oito intervalos comerciais, no futebol temos apenas um imenso break de 15 minutos", observa Saad. No ano passado, a Bandeirantes faturou R$ 240 milhões. De acordo com Saad, em 1999 o mercado publicitário vem registrando queda de 20%. "Se mantivermos o faturamento do ano passado, já será lucro", diz Saad. Pesquisa - Diante do impasse econômico, a emissora encomendou uma pesquisa para avaliar sua imagem pelo telespectador. No fim do ano passado, a pesquisa revelou que a emissora era vista como um canal destinado ao público masculino e acima de 30 anos. As mulheres pesquisadas resumiam: "É a TV do meu marido". O canal do esporte (esse foi o slogan da emissora por dez anos) reservava 70% de sua programação para as transmissões esportivas
muitas vezes empolgantes partidas de futebol, basquete e vôlei, mas não raro, monótonas partidas de sinuca.
A desorganização do calendário esportivo brasileiro era outro problema para a emissora que se propunha a montar sua programação em eventos esportivos. "O calendário brasileiro não tem planejamento", diz Saad. "Nos EUA, por exemplo, eu sei o local e a data em que dois times vão se enfrentar em setembro do ano que vem". Nessa fase de transição, a audiência era uma preocupação a mais para a direção da emissora. O risco era perder a audiência cativa e não conquistar novos telespectadores
ou seja, perder os homens que gostavam do esporte e não fisgar as mulheres, as crianças e os adolescentes. "Perdemos parte dos telespectadores, mas em compensação ganhamos uma nova fatia de público", informa Saad. E o que é melhor: "A audiência não caiu", diz.
Um contrato assinado com a empresa de marketing esportivo Traffic redistribuiu dessa forma o esporte na Bandeirantes: uma transmissão às quartas-feiras, às 21h30, aos sábados das 15 horas às 18 horas e aos domingos das 11 horas às 20 horas. No total, são 13 horas semanais de esporte ou o equivalente a 25% da programação semanal. Arrumada a casa, a Bandeirantes contratou o diretor Nilton Travesso para o cargo de diretor de Teledramaturgia que hoje responde pela Superintendência de Operações.
O primeiro trabalho de Travesso, um dos mais experientes diretores da TV brasileira, com mais de 40 anos de carreira, foi a realização da novela "Serras Azuis". A novela custou R$ 6 milhões e deu prejuízo de R$ 2 milhões. O diretor afirma que a Bandeirantes não mais pretende investir no formato de novelas que se conhece. Na opinião de Travesso, as comédias de situação, com uma história fechada diariamente, são o futuro da teledramaturgia. Cada episódio custa caro, cerca de R$ 60 mil, mas o diretor acredita que as próximas produções já sairão por R$ 35 mil o episódio.

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