A Islândia é um ponto obscuro no mapa múndi-musical. Bjork é de lá, mas só agora a segunda maior ilha da Europa começa a ser devassada no Brasil com o lançamento do livro ''Rumo à Estação Islândia'' (Editora Conrad), de Fabio Massari.
No livro, o VJ da MTV mescla anotações esparsas, entrevistas e comentários de discos num misto de diário de viagem e mapeamento musical do país. O material reunido é resultado de duas peregrinações do autor pela terra das geleiras e vulcões, a primeira em 98, numa estadia de dez dias, e a segunda em 99, quando se aventurou por dois meses explorando ruas, lojas, livrarias, bares, cafés, teatros e casas noturnas.
A pesquisa rendeu um invejável panorama sonoro da ilha abrangendo bandas de garagem dos anos 60, grupos de hard rock, punks e experimentais dos 70, góticos e pós-punks dos 80 até chegar aos eletrônicos e outras vertentes dos 90. Bjork, cujo álbum ''Vespertine'' será lançado mundialmente no próximo dia 28, é a ilustre figura ausente do volume. Ausente em termos, porque a cantora não deixa de assombrar as páginas como referência obrigatória e citação inevitável.
''Todo mundo dava risada quando eu dizia que esse seria um livro de sons islandeses sem a Bjork'' explica o autor na introdução. ''Risada porque é mesmo engraçado, porque é impossível. A musa local não aparece mais diretamente no livro porque estava fora, trabalhando no filme de Lars Von Trier, à época da minha visita''. A viagem pelo desconhecido inclui nomes como Trúbrot, Hljómar, Thor's Hammer, Purrkur Pillnikk, Theyr, Einar Melax, Medusa, Orkuml, Exem, Bellatrix, Unun, Lhooq e Magga Stina (a melhor amiga de Bjork).
No final do volume, Massari destaca a banda Sigur Rós, já aclamada na Europa e que vem ao Brasil em outubro participar do Free Jazz Festival. Bjork, dizem, terá enfim companhia fora da ilha.

Rumo à Estação Islândia. Autor: Fabio Massari. Editora Conrad (telefone 11 3346-6071). Preço: R$ 22,10.

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