BANDAS E FANFARRAS - Saxofones e clarinetas na cidade centenária
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de julho de 2007
Widson Schwartz<br> Especial para a Folha2 
A suposição de que a tradicional banda, aquela dos desfiles de Sete de Setembro e das retretas aos domingos no coreto do jardim, tenha acabado ou seja coisa de velhos não existe em Ribeirão Claro (a 26 quilômetros de Jacarezinho, Norte Pioneiro). Na cidade centenária, os instrumentistas têm de 7 a 26 anos de idade e são alunos da escola de música que a prefeitura mantém.
Orgulhosos de sua banda, os ribeirão-clarenses terão outras no dia 28 próximo, quando se realiza na cidade o Campeonato Aberto de Bandas e Fanfarras da Região Sul, no calendário da Federação Paranaense e da Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras (CBNF).
Formada a partir de 2002, a Banda Municipal ''João Pereira do Nascimento'', homenagem póstuma a um maestro de outrora, faz sucesso com instrumentos novos e o impecável uniforme azul e branco. Enquanto aguarda o momento de tocar o hino do município em solenidade no parque de exposições, um emocionado cidadão de 59 anos, Antônio Ramim, lê o nome no estandarte e declara-se neto do homenageado.
Conta que o avô tocava baixo-tuba e foi, também, ''um oficial de Justiça que fazia intimações em cima do cavalo''; um acidente o deixou com uma perna defeituosa, mas nem por isso deixava de sair com a banda.
O único veterano é o maestro, Walmor Marcos Faustino, que era adolescente quando começou na banda do colégio em Apucarana. Titular da Banda de São Sebastião da Amoreira, também, ele está entusiasmado com os meninos e jovens em Ribeirão Claro, ''não foi difícil, é um pessoal que gosta, muito interessado''. Para os leigos, a banda ''está tinindo'', mas o maestro diz que ainda tem de progredir muito.
São três trombones, três trompetes, três tubas, dois saxofones-tenor, duas clarinetas, quatro flautas transversais e a seção de percussão. Há o corpo coreográfico, com a baliza e a linha de frente, que conduz a bandeira. Mais de 20 figurantes.
Com 10 anos de idade, a flautista Camila da Silva Costa ingressou faz um ano. A participação de moças e meninas é considerada normal pela saxofonista Daiane Marcolino, 17 anos: ''Minha mãe tocava na banda anterior''. O segundo sax está com Daiana Dias, 18, que se justifica: ''Somos primas''. Motivado ao ouvir a banda ensaiar no bosque ao lado da rodoviária, Renato Ricardo Teixeira tem apenas 7 anos e está começando entre os percussionistas.
A cidade não tinha banda em 2002, desde um período na década de 90 quando os músicos da Lira Mariana decidiram parar. Formada por congregados marianos, usava os instrumentos da prefeitura, conta o secretário municipal de Cultura, Luís Carlos Fernandes, que todos chamam de Tibúrcio. Com o atual prefeito, Francisco Carlos Molini (PSDB), foi criada a escola de música, houve a reforma de instrumentos velhos e a compra de novos. Levando em conta o histórico, Molini diz que a ''banda já existia, o que fizemos foi dar a ela condições de tocar''. Foi possível porque ''o foco principal da administração está na educação e cultura'', segundo Molini, supondo que dotações ao setor sejam superiores a 25% do orçamento de R$ 10 milhões previstos.
Segundo Tibúrcio, todos os músicos atualmente são da escola, que oferece aulas de violão, teclados, percussão e sopros. Os alunos têm liberdade para escolher, mas dos 60 até agora 30 optaram pela banda, observa Heverton José de Oliveira, que leciona na condição de estagiário juntamente com João Paulo Molini e Jeferson Nascimento. Trompetista, 26, Heverton é o menos jovem da banda e também ensina xadrez no programa cultural do município.
Com teoria e prática, explica Heverton, geralmente os alunos começam a ler e a se familiarizar com o instrumento em pouco tempo. E há os que revelam o dom mais acentuado. Logo, até os menores tocam a Ode à Alegria, que é ''bonita e fácil'' embora seja de Beethoven. ''Para a banda, a gente arranja um pouco, desce um tom, sobe. O jeito de tocar não é inteiramente marcial''.


