Banda sueca The Cardigans prepara vinda ao Brasil
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 24 (AE) - Para a banda sueca Cardigans, um dos maiores sucessos das pistas de dança e das festinhas de garagem desde os tempos do Village People, soar como "easy listening" não é um problema. "É uma honra", disse o tecladista Lars Olof-Johanson, o Lasse, em entrevista por telefone, de um hotel de San Diego, Califórnia. "Nós não pensamos em fazer essa ou aquela música, que se enquadre neste ou naquele estilo: fazemos apenas canções".
The Cardigans, avisa Lasse, deve vir ao Brasil após o verão - possivelmente no segundo semestre deste ano, embora não haja nenhum contrato fechado. O quinteto sueco surgiu em 1982 na cidade de Jnkping, Suécia. Logo ganhou as paradas européias com um pop extremamente dançável e - após a inclusão da loiríssima Nina Persson nos vocais - altamente inflamável.
A diferença entre o som do Cardigans e as outras bandas do gênero estava nas letras: cultivavam uma poesia densa, elaborada, que contrastava com o som "feliz" e assobiável. "É uma música internacional, que tem o objetivo de fazer todo mundo divertir-se", diz Lasse. "Mas nós somos, definitivamente, uma banda sueca, embora sempre nossa meta foi ter um reconhecimento fora da Suécia".
Apesar de muito apreciado junto às hostes modernas, o Cardigans não é exatamente um cultor dos sons tecnológicos dos clubes. Estão mais ligados, segundo Lassen, ao jazz e ao som hard rock dos anos 70. "Há muito de Black Sabbath no som dos Cardigans", diz Lassen. Eles inclusive gravaram um cover do grupo, Sabbath Bloody Sabbath, em seu segundo disco, Life.
A música dos Cardigans (integrado ainda, além de Nina Persson e Lassen, por Peter Svensson, Magnus Svenningsson e Bengt Lagerberg) utiliza uma grande mistura de instrumentos acústicos e high tech, como guitarras Rickenbacker e sintetizadores ultramodernos.
"Gosto de jungle e de drumnbass, embora não seja o tipo de som que eu ouça diariamente", conta. "Na verdade, não aprecio quando as companhias do disco fazem muito dinheiro lançando novos tipos de pop; acho mais interessante quando a música se afirma por si mesma, sem apelações".
O maior hit da banda, até hoje, foi "Lovefool", do disco "The First Band on The Moon" (1996). O seu público expandiu-se consideravelmente, alcançando uma grande legião de seguidores até no outro extremo do planeta, no Japão e na Austrália. Mantém-se, no entanto, ligados à Suécia natal, embora passem a maior parte do tempo em turnê - a atual já dura mais de dois anos.
Lars não economiza nas opiniões sobre os companheiros de cena. Diz que acha legal Blur e Oasis, remanescentes do britpop, mas que considera sua contribuição ao comportamento no cenário rocker como "lastimável". Também não deixa de soltar algumas fagulhas em direção à crítica, que rotula seu som como uma mistura incompatível de entretenimento e reflexão.
"Acho realmente que há um paradoxo na nossa música", diz Lassen. "Mas fazer pensar e fazer dançar ao mesmo tempo não é uma coisa impossível, não se trata de algo inconciliável: você pode ser um tolo mantendo-se absolutamente parado o dia todo", crê o tecladista.


