José Mauro de Vasconcelos é, no meu conceito, um dos melhores escritores contemporâneos da nossa língua. Falecido em 1984, este carioca criado no Rio Grande do Norte foi agricultor, operário, boxeador profissional, professor primário, garimpeiro, sertanista, modelo, ator de cinema (em filmes como ‘‘Floradas na Serra’’ de 1954, ‘‘Mulheres e Milhões’’ de 1961 e ‘‘A Ilha’’ de 1963, entre outros); ator de TV, jornalista e radialista, além de escritor e pintor. Acabou se tornando popular com ‘‘Meu Pé de Laranja Lima’’, lançado em 1968, e que vendeu nos primeiros meses após o lançamento, 217 mil exemplares. Mas antes disto, ele já havia produzido obras impressionantes e fantásticas, oferecendo o retrato do Brasil que poucos conhecem, em ‘‘Longe da Terra’’ ou criando personagens antológicos em uma história que é um verdadeiro poema em ‘‘Rosinha Minha Canoa’’.
Por causa do estouro do ‘‘Meu Pé de Laranja Lima’’, livro simples para o qual alguns semi-intelectuais torcem o nariz, a obra dele acabou sendo minimizada. Mas este livro é lindo, assim como os outros. É piegas, dizem, aquela história do menino e do velho português. É, muita gente chorou ao ler. Mas e daí? É uma linda história, muito bem contada.
E o sucesso se refletiu na adaptação dele para o cinema, teatro e TV. Virou até telenovela, com várias adaptações. A partir desta segunda-feira, a Bandeirantes lança mais uma. Adaptação de Ana Maria Moretzsohn, baseada na versão de Ivani Ribeiro, esta nova versão foi trazida para tempos atuais. E tem outra novidade: o formato. A Band aposta em uma história curta, considerando que as novelas que duram 6 meses estão ultrapassadas. Esta nova versão tem, apenas, 65 capítulos. Quem conhece a história original considera que pode ser bom. Esticaram muito as outras versões, tirando a originalidade do livro que lhe dá o nome e a base.
A novela será exibida de segunda a sábado, às 18h. No elenco, poucos nomes famosos, com destaque para Gianfrancesco Guarnieri, o personagem principal ao lado do menino Zezé, interpretado por Caio Romei, e, claro, do ‘‘pé de laranja lima’’.

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