Sombrinha tem sucessos gravados por grandes intérpretes como Alcione e Dona Ivone Lara
Sombrinha tem sucessos gravados por grandes intérpretes como Alcione e Dona Ivone Lara | Foto: Divulgação

É praticamente impossível ir a uma boa roda de samba e não ouvir alguns dos muitos clássicos assinados pelo sambista Sombrinha. Em parcerias com Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão e outros bambas, o compositor paulista radicado no Rio de Janeiro compôs sucessos que entraram para a história da música popular brasileira e há anos são cantados em coro pelos quatro cantos do país. Entre eles, “O Show Tem que Continuar”, “Ainda é Tempo pra Ser Feliz”, “Mutirão de Amor”, “Fogo de Saudade” e “Na Paz de Deus”.

Dono de uma obra que inclui mais de 300 canções, algumas delas gravadas e regravadas por nomes como Alcione, Ivone Lara, Chico Buarque e Caetano Veloso, o artista desembarca em Londrina neste sábado (22), como convidado do Samba da Madrugada, evento que tem início às 21 horas. “Faremos uma grande festa relembrando músicas de sucesso de toda as fases da minha carreira e uma homenagem especial a Beth Carvalho, que foi nossa madrinha e uma das maiores guerreiras do samba”, afirmou Sombrinha em entrevista por telefone.

O sambista que toca violão de 6 e 7 cordas, cavaco, banjo e bandolim comemora 60 anos de idade em 30 de agosto e quatro décadas de carreira no final deste ano volta a Londrina após um longo período sem fazer shows na cidade. “Estive em Londrina em várias outras ocasiões, mas já faz alguns anos que não me apresento aí. É sempre um grande prazer voltar a lugares onde fomos bem recebido. Será um grande prazer cantar e tocar com músicos da cidade”, enfatizou o sambista ao revelar que trará seu cavaco na bagagem.

Sombrinha iniciou sua trajetória musical ainda na adolescência, quando aos 14 anos começou tocar de forma autodidata um violão de sete cordas que ganhou do pai. Aos 16 anos já se apresentava em casas noturnas de Santos (SP), sua cidade natal. Em 1977, aos 18 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a trabalhar como músico profissional, período em que gravou com Baden Powell e Originais do Samba.

Em 1979, foi um dos fundadores o Fundo de Quintal, grupo que reuniu na sua formação original os músicos Almir Guineto, Jorge Aragão, Bira, Ubirani, Sereno e Neoci. O primeiro sucesso como compositor surgiu em 1980 com a música "Marcas no Leito" (composta com Jorge Aragão) que se tornou hit na voz de Alcione e posteriormente foi regravada por Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, além do próprio Aragão.

A parceria com Arlindo Cruz, seu parceiro mais frequente nasceu junto com o Grupo Fundo de Quintal. “Eu e o Arlindo temos mais de 150 canções que fizemos juntos. Todas são muito especiais, mas acho que 'O Show Tem que Continuar' é a mais popular de todas e possui centenas de regravações feitas por inúmeros artistas”, analisa ao citar alguns cantores que ainda não gravaram músicas suas e que gostaria de ouvi-los interpretando canções de sua autoria. “Tem o Martinho da Vila, Paulinho da Viola, João Bosco e Nana Caymmi. São pessoas que admiro muito e que ainda sonho em ouvir cantando composições minhas”, disse.

Apesar de ter dado uma pausa na parceria com Arlindo Cruz por conta das limitações que amigo sofreu por conta de um AVC sofrido em 2017, Sombrinha continua compondo. “Com o Arlindo, a gente discutia o tema que seria tratado na canção e, na maioria das vezes, eu já levava a melodia pronta e juntos a gente fazia a letra. Tenho composto da mesma forma ultimamente com novos parceiros, entre eles Xande de Pilares e Inácio Rios”, relatou.

A nova safra de composições deve ser apresentada ao público no DVD que Sombrinha pretende lançar até o final deste ano. “Será um trabalho comemorativo aos meus 40 anos de carreira, mas ainda não confirmamos a data do show que será gravado para dar origem ao DVD”, ressaltou.

O novo trabalho será o 21º lançado por Sombinha. “Ao longo da minha carreira lancei 20 CDs, sendo quatro álbuns solo, cinco em dueto com Arlindo Cruz e 11 junto com Fundo de Quintal”, resume o sambista que acompanhou de perto a resistência do samba nas últimas quatro décadas. “O samba continua na crista da onda. Sempre aparecem coisas passageiras e modismos, mas o que fica são os artistas que defendem o samba de raiz pelo país afora. É caso do Arlindinho, do João Martins e do Renato da Rocinha, que são nomes da atualidade que estão dando sequência a esse legado”, concluiu o mestre Sombrinha.

Serviço:

Samba da Madrugada convida Sombrinha em Homenagem a Beth Carvalho

Quando – Sábado (22), às 22 horas

Onde – Espaço Elias Ferreira (R. Paraíba, 574)

Quanto – A partir de R$ 25 (lote extra)

Ponto de Venda – www.sympla.com.br/sambadamadrugada

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