Balneário está mais bem cuidado
Milton DóriaPraias não faltam e elas estão mais limpas para receber os turistasPara quem há um tempinho não dá o ar da graça por lá, as mudanças são visíveis. É claro que o Balneário de Camboriú, não se transformou em nenhum Jardim do Éden temperado com sal e sol mas é preciso reconhecer que está mais bonito. Mais limpo. Mais atrativo. Melhor tratado, assim dizendo. Tais mudanças começaram recentemente e, se depender da Secretaria Municipal de Turismo, outras benfeitorias serão implantadas a médio e longo prazo.
A ordem da atual gestão é uma só: qualificar o turismo. Que, em outras palavras, significa excluir aos poucos a farofa e introduzir um cardápio mais variado e sofisticado que faça os turistas lamberem os beiços. A explicação é simples. Quase lógica: tendo sua economia calcada no turismo, Camboriú tem que ter atrativos que a façam ficar em evidência durante todo o ano e não apenas na temporada.
Para chegar às atuais condições - e olha que ainda se faz necessário algum retoque aqui, ali, acolá - foi preciso ministrar um remédio amargo mesmo que em doses homeopáticas. E os primeiros a engolir a medicação foram (e são) os turistas de excursões que traziam praticamente a casa inteira na mala na intenção de economizar ao máximo.
Até aí, nada demais já que ninguém tem culpa de ter bolso pequeno. O que a Secretaria de Turismo fez foi aparar exageros que, anteriormente, eram tolerados. A começar por uma melhor qualificação dos meios de hospedagem alternativos, o que acabou por fechar, por triagem natural, algumas acomodações.
Outra medida: fazer valer a lei que proíbe o estacionamento em locais impróprios (terrenos baldios, calçadas, etc). Para isso, foram instituídos 10 novos locais e uma cobrança de R$ 20,00 por dia por ônibus. Se há desobediência, as rodas dos veículos são grampeadas e para serem destravadas paga-se uma multa de R$ 120,00.
A guerra à farofa atinge também o estômago. Ou seja, a Vigilância Sanitária não faz mais vistas grossas aos alimentos perecíveis (principalmente carne) que, em alguns casos, chegavam a viajar mais de vinte horas em condições suspeitas. Não raros eram os casos de turistas que se transformavam em vendedores. Com isso, churrasquinhos e outros inhos na praia acabaram, para infelicidade de uns e outros.
As medidas visam, obviamente, angariar turistas com melhor poder aquisitivo. Não é elitizar, é qualificar. E também disciplinar alguns turistas- diz Genivaldo Góes, diretor geral da Secretaria de Turismo. É o tal negócio: se vendo Havaianas não conseguirei atrair quem usa Raider- compara.
Os reflexos da qualificação do turismo já podem ser avistados. De acordo com Góes, a estimativa é que nessa temporada, que começou em 20 de dezembro do ano passado e prossegue até 1º de março, passem pelo Balneário 1,2 milhão de turistas. Um bom número, sem dúvida. Mas abaixo da temporada de 97 quando a cidade foi tomada por quase 1,5 milhão de turistas, dos quais 84,28 % brasileiros e 15,72 por cento estrangeiros (a grande maioria argentinos). Se a gente fizer um turismo de qualidade traremos turistas de qualidade- raciocina Góes.(A.M.J.)





