BALLET GUAÍRA TEM NOVA DIREÇÃO
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O Ballet Teatro Guaíra agora vai acertar o passo. Essa é a expectativa dos bailarinos, da diretoria do teatro e de outras pessoas ligadas à companhia que apostam suas fichas na nova diretora do BTG a ex-bailarina e crítica Suzana Braga. O convite para assumir uma das principais companhias brasileiras partiu da secretária Lúcia Camargo e da diretora-presidente do Teatro Guaíra, Mônica Rischbieter, em julho passado, em meio à agitação do Festival de Dança de Joinville.
Fiquei meio assustada e a princípio disse que não queria de jeito nenhum, contou Suzana à Folha2. Mudou de idéia depois de uma rápida visita a Curitiba, quando fez uma avaliação da companhia e conversou com Mônica e o governador Jaime Lerner. A impressão foi de que havia real interesse para apoiar e dinamizar o balé. Além disso sentiu uma empatia muito grande, sinal de que as coisas poderiam dar certo. Aceitou.
A nova diretora está assumindo o posto com algumas decisões a ser cumpridas. A primeira acontece já na próxima terça-feira: Vamos fazer uma audição de reavaliação interna, o que não quer dizer demissão, anuncia. Vamos ver quem vai ser selecionado dentre os bailarinos estatutários, que estão em condições de dançar nas temporadas deste ano e do ano que vem até julho de 2000.
Há bailarinos que estão muito bem, outros que não estão tão bem e muitos que estão desmotivados, até por não ter uma regência, uma direção, disse Suzana. Os que não forem selecionados participarão de outro núcleo de atividades, deixando a companhia principal. Elas terão chance de se colocar em forma, trabalhar bastante e no ano que vem fazer nova audição de reavaliação e de retornar à companhia ou não.
Naturalmente os profissionais estão tensos, mesmo porque há cerca de dez anos não é feita uma audição entre eles. Mesmo assim me receberam muito bem, com muita elegância. Eles sabem que eu os conheço há muito tempo e que não quero machucar ninguém, considerou.
Foi nomeada uma banca para a avaliação, e Suzana atuará como um termômetro, no caso de um empate ou indecisão. Os jurados: Richard Cragun, que dançava no Sttugart Ballet, o mineiro Tíndaro Silvano, a paulistana Toshie Kobaiashi e Roseli Rodrigues, também de São Paulo, que aproveitará para analisar o elenco, pois é a primeira coreógrafa convidada para trabalhar com o BTG nesta nova fase. O resultado será divulgado dia 30.
Outra medida importante é a abertura de 12 vagas, independente do resultado de seleção dos membros efetivos do BTG. Queremos injetar sangue novo. Virão pessoas de diferentes pontos do País, que estão procurando oportunidades, porque o mercado de trabalho na dança não é tão grande, frisou. A seleção também acontecerá na terça-feira.
Suzana Braga explicou como se darão esses contratos:
Teremos 12 contratações novas para começar a fazer a renovação da companhia. Esses profissionais contratados não obedecerão mais ao esquema de funcionário público. Eles vão obedecer a desempenhos por temporadas. A primeira é de dez meses; depois eles serão reavaliados, como em qualquer parte do mundo.
A diretora quer trabalhar em espaços distintos, sem ficar misturando seu posto com os de maitre e coreógrafa. Fica um pouco conflitante. Ela convidou para assumir o cargo de maitre da companhia Beatriz Almeida, que no momento está dançando na Alemanha.
Beatriz foi estrela do Stuttgart e do Ópera de Zurich herdeira dos grandes papéis que Cranko fez para Márcia Haydé. Dentro de algumas semanas desembarca em Curitiba para trabalhar no BTG.
Em dezembro os paranaenses terão oportunidade de ver o Ballet Teatro Guaíra em cena, na primeira temporada que traz a assinatura (nos bastidores) de Suzana Braga. A companhia apresentará uma coreografia de Roseli Rodrigues, ainda sem título, e um trabalho de tangos do coreógrafo argentino Eduardo Ibañez.





