Ballet Guaíra comemora 30 anos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de maio de 1999
Zeca Corrêa Leite 
O Ballet Teatro Guaíra está completando 30 anos. Para sua primeira temporada neste ano, que acontece de hoje a domingo no Guairão, a companhia escolheu duas peças do repertório: Presenças, com coreografia de Luís Arrieta e Pastoral, de Milko Sparemblek. Nos dois primeiros dias as sessões começam às 20h30 e domingo às 18 horas. Entrada franca.
Abre-se assim a série comemorativa à nova idade, com o acompanhamento da Orquestra Sinfônica do Paraná, sob regência do maestro Roberto Duarte. Presenças se utiliza da música de Sergei Rachmaninoff, Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, que terá solo da pianista Midori Maeshiro.
A instrumentista nascida em Osaka, no Japão, veio ainda criança para o Brasil. Fez o Curso Técnico em Piano na Escola de Música da UFRJ, onde viria a graduar-se em Piano Superior, na classe do professor Heitor Alimonda. Concluiu mestrado sob orienntação da professora Myrian Dauelsberg.
Para Gylian Dib, ensaiadora do BTG e responsável pela remontagem das peças, o espetáculo coloca em cena duas danças que são opostas entre si. Enquanto a obra de Arrieta é uma criação matemática, que privilegia o movimento pelo movimento, a Pastoral trabalha com uma linha narrativa, mostrando um dia de colheita, ao som da Sexta Sinfonia, de Beethoven.
O argentino radicado em São Paulo, Luís Arrieta tem especial predileção por esta peça, que faz parte do repertório do BTG. Também está nos acervos das companhias de Cuba, Suíça e Argentina. O bailado mantém uma evolução constante sobre 24 variações, como se os 20 bailarinos - dez homens e dez mulheres - repetissem um único tema.
Em Pastoral o iugoslavo Milko Sparemblek transforma o palco num local onde camponeses celebram a colheita. O ritual utiliza-se dos cinco movimentos da peça de Beethoven: Nasce o Dia, Manhã na Beira do Rio, Festa de Tarde, A Tempestade e O Final do Dia.
Arrieta e Sparemblek são dois profissionais de reputação internacional. O primeiro começou seus estudos em Buenos Aires, onde nasceu. Em mais de 20 anos de carreira é autor de mais de 60 balés. Atuou em companhias do Brasil, Argentina e Alemanha. Foi diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo e do Cisne Negro entre outra companhias.
Milko Sparemblek estudou dança no Conservatório de Zagreb. Foi solista em repertório clássico, contemporâneo e folclore. Troca sua terra natal por Paris, em 1953, onde vai estudar dança clássica e contemporânea, prosseguindo mais tarde seus estudos em Nova York.
Por duas temporadas foi maitre do Ballet du XxSme Siecle, em Bruxelas; diretor do Ballet do Metropolitan de Nova York, por três temporadas; diretor artístico do Ballet Gulbenkian, de Lisboa, por quatro temporadas, e diretor artístico do Ballet da Ópera de Lyon, na França, entre os anos dd 1977 a 1980. Criou luzes e figurinos para algumas das mais importantes companhias de dança do mundo.
O Ballet Teatro Guaíra foi criado oficialmente no dia 12 de maio de 1969. A primeira vez que subiu ao palco foi em setembro desse ano, com um elenco formado por dez bailarinos. Todos eles escolhidos em concurso público. A banca veio especialmente do Rio de Janeiro para a seleção. Coroava-se, assim, a persistência dos artistas e dos amantes da dança que sonhavam com uma companhia para a cidade.
Surgia finalmente BTG, porque desde 1956, com a fundação do Curso de Danças Clássicas do Teatro Guaíra, havia esse sonho do teatro ter o seu corpo de baile. Com mais de 40 anos a escola formou nestas décadas um número incontável de artistas.
Em 1997 o Curso de Danças Clássicas obteve do Ministério da Educação e do Conselho Estadual de Educação do Curso Profissionalizante de 2º Grau o reconhecimento para a Habilitação de Bailarino para Corpo de Baile. De importância vital para o BTG foi a presença de Yurek Shabelewski, contratado em 1971 como diretor da companhia. Nome lendário no balé mundial ele deixou sua contribuição na estruturação do grupo como companhia. Com Carlos Trincheiras, respeitado maitre e coreógrafo português, o BTG chegou à maturidade e viveu o auge dos seus dias com a criação de O Grande Circo Místico. O roteiro de Naum Alves de Souza baseou-se no poema homônimo de Jorge de Lima, com música de Edu Lobo e Chico Buarque.


