Ballet em crise
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de junho de 2000
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
O Ballet de Londrina voltou da primeira fase de sua 7ª turnê nacional com problemas financeiros. Até a terça-feira, 30, dia em que a companhia chegou de viagem, o pagamento referente ao mês de abril ainda não havia saído o dinheiro só chegou na quarta à tarde. Em virtude do atraso, o diretor do Ballet Leonardo Ramos esteve na Folha para criticar a Secretaria Municipal de Cultura, que repassa a verba para a Funcart Fundação à qual o Ballet está vinculado.
Em 30 dias, o grupo fez 21 apresentações do espetáculo Ethos, incluindo cinco capitais nordestinas: Fortaleza, Natal, João Pessoa, Maceió e Salvador. Segundo Leonardo Ramos, a viagem foi difícil porque, além do atraso no pagamento, o projeto da turnê não foi aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura. Ele afirma que apenas a montagem de Ethos passou pela avaliação da Lei.
A turnê não foi aprovada pela Lei. Neste ano viajamos com parcerias como a Fundação Cultural da Bahia, que comprou um espetáculo e adquiriu vários ingressos. Em Maceió, o Colégio Marista nos deu apoio. Nós temos feito essas viagens todo o ano. Antes sobrava algum dinheiro para fazer uma divulgação maior. Nesse ano, não andamos para a frente, o que já considero um retrocesso, comenta Ramos.
O diretor ressalta que a companhia ganhou respeito e divulga o nome de Londrina nacionalmente: Adquirimos o respeito nacional de sermos consideradas uma das mais importantes do País. Mas enfrentamos dificuldades em manter o que existe. O salário bruto de um bailarino está em torno de R$ 604,00. Eu desempenho as funções de diretor, cenógrafo, figurinista, ensaiador e produtor e recebo R$ 1.008,00.
O Ballet de Londrina, segundo o diretor, conseguiu ir de avião até Fortaleza, e fez toda a turnê pelo Nordeste de ônibus. A volta para Londrina também foi feita de ônibus.
Para Leonardo Ramos, as dificuldades passam pela falta de uma política cultural para a cidade. Nunca fiz acusações pessoais a ninguém. Tentamos discutir a política cultural da cidade. Onde está, qual é? O que se realiza? O mais sério é que a gente tem a sensação de que as palavras são jogadas ao vento, argumenta.
Entre os problemas, o diretor cita a desativação do Conselho de Cultura, que obedecia à convocação da secretária. Esse Conselho deveria ser estimulado para ser forte e atuante. Isto já foi dito por muita gente séria na cidade. E sequer a secretária deu uma resposta ou uma justificativa. As mudanças ocorridas na Lei de Incentivo, há dois anos, nos deram com uma mão e nos tiraram com a outra ao apresentarem uma cara saudável, mas com uma comissão indicada pela Secretaria de Cultura e prefeitura. A comissão passou a interferir e desfavorecer estruturas que existem há tempos.
Leonardo Ramos cita três fatores que considera exemplos de retaliação à postura que vem tomando em relação à Secretaria: o atraso no pagamento de abril, o afastamento de um guarda da Funcart e a alteração no prazo do convênio mantido entre a Funcart e a prefeitura. O prazo era indeterminado. Em um acordo entre a Funcart e a Secretaria, o prazo foi alterado para se encerrar no dia 31 de dezembro, com possibilidade de revalidação, data que o diretor considera muito próxima.
Cada vez que houve uma notícia eu recebi represálias que atingiram o grupo. Novas formas de pressão serão feitas no dia em que essa matéria for publicada. Eu desafio a secretária para um debate sobre todas essas questões, acentuou.
O convênio que mantém o Ballet de Londrina existe desde 1993 entre a Funcart e a Secretaria, segundo Ramos. A Secretaria de Cultura repassa a verba para a Funcart, que paga as despesas e presta contas.
Para contornar as dificuldades, Leonardo Ramos entrou em contato com a Secretaria de Cultura do Paraná, que acenou com o repasse de R$ 10 mil, referentes ao ano de 2000.
A reportagem da Folha2 tentou várias vezes falar com a secretária Angela Farah Marçal, e agendou, com a assessoria da Secretaria de Cultura, uma entrevista para a última quarta-feira, às 17 horas. A secretária não compareceu.


