Ballet de Londrina celebra 20 anos
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quinta-feira, 14 de março de 2013
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
De Paris a Xavantes, interior de São Paulo; do imponente Teatro Castro Alves, em Salvador, a apresentações em locais simples pelo Paraná e Brasil afora, o Ballet de Londrina vem conseguindo imprimir a singularidade da sua marca há 20 anos. Para celebrar as duas décadas de uma caminhada bem-sucedida, o grupo dá início neste final de semana a uma série de apresentações que se estenderão até o final do ano.
"Petrouchka" e "A Sagração da Primavera" - as mais recentes criações da companhia que são releituras para criações do compositor russo Igor Stravinsky - serão apresentadas no Circo Funcart hoje, para convidados, e no sábado e no domingo, para o público em geral, sempre às 20 horas. A agenda se repete no próximo final de semana (dias 23 e 24).
Após a temporada londrinense, o Ballet segue para turnê pelas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, resultado do Prêmio Klauss Vianna, da Funarte, com o qual foi contemplado no ano passado. O recurso de R$ 100 mil também irá contribuir para implementar a nova edição do Festival de Dança de Londrina, prevista para o final do ano.
Aos 50 anos, o coreógrafo Leonardo Ramos, fundador da companhia, ressalta o espírito inovador do grupo e o diferencial do Ballet de Londrina conseguir se manter há tanto tempo em uma atividade cultural nem sempre muito reconhecida no Brasil e ainda possuir uma escola de dança de formação. "Além da nossa dedicação, temos o privilégio de morarmos em uma cidade que tem uma política cultural consolidada, mesmo diante de alguns momentos de altos e baixos", afirma Ramos, que chegou a ocupar por quase três anos e meio o cargo de secretário de Cultura, na gestão passada. "Aprendi muito com essa experiência e acho que dei a minha contribuição, mas não é algo que gostaria de vivenciar novamente", avalia.
O Ballet é o grande responsável por projetar o nome de Londrina na área de dança contemporânea aqui e no exterior. Em 20 anos de estrada, foram 24 espetáculos montados e mais de 97 cidades visitadas para apresentações; para o exterior, foram 15 viagens, sendo seis delas apenas para o Peru. "Apresentar `Para Acordar os Homens e Adormecer as Crianças´ em Paris, no ano passado, foi emocionante, principalmente pelo fato disso acontecer na cidade que é considerada o berço da dança, e a receptividade foi das melhores", lembra Ramos.
Iniciado na dança "meio por acaso", aos 17 anos, acostumado a levar sua irmã às aulas de balé quando ainda morava em Recife, Ramos conta que chegou a trabalhar como iluminador profissional antes de perceber que a relação com a dança "seria para sempre". Além das aulas práticas de dança, a dedicação aos estudos teóricos com grandes mestres da área alimentavam o sonho de um dia lecionar.
Após passagem por Curitiba, Ramos veio morar em Londrina, quando surgiu a ideia de montar a companhia, que teve o apoio fundamental do coreógrafo Jorge Marcos, que faleceu nove dias antes da estreia do primeiro espetáculo do grupo, em um acidente de moto. "Diante disso me vi com o desafio de atuar com coreógrafo também e dar continuidade ao trabalho, e foi isso o que eu fiz", relembra.
Incansável, Léo, como é chamado entre as pessoas mais conhecidas, se surpreendeu com a indicação ao Prêmio Mambembe da sua primeira montagem, "Nó", em 1995. E não parou mais até que em meados de 2005, após uma conversa com o amigo Roberto Pereira, jornalista e crítico de arte do Jornal do Brasil, já falecido, descobriu que o seu trabalho precisava sair do "lugar comum".
"A minha formação tinha uma base muito forte no balé clássico e precisava me reinventar na área contemporânea. Foi aí que comecei a focar as pesquisas na horizontalidade, buscando novos eixos de equilíbrio, com uma linguagem própria. O que fazemos não é algo inédito, mas tem a nossa marca e quem nos assiste sabe que uma pessoa que não seja profissional não é capaz de fazer o mesmo", garante. "Acredito na dança como um tipo de linguagem de comunicação pelos movimentos e não com outros recursos, como a palavra e o som", acrescenta.
Apesar da paixão pela dança e da satisfação de uma vida dedicada à arte do movimento, Ramos, que se considera tenso e impaciente por natureza, no momento deseja viver de forma mais tranquila e está planejando a própria aposentadoria em 2019. "Trabalho em média 12 horas por dia e muitas vezes me pego com vontade de morar de novo na praia, de vender coco, mas tenho fortes laços de amizade em Londrina e acho que vou ter que descansar por aqui mesmo. Quero ter o direito de não fazer nada", brinca.
E o que deseja, então, para os próximos seis anos do Ballet de Londrina, até se aposentar? "Que a companhia consiga se estruturar cada vez mais, que os bailarinos sejam melhor remunerados e que consigam viajar com mais tranquilidade e conforto. Tenho também um sonho utópico, até eu me aposentar, de que todos os 500 mil londrinenses tenham ao menos uma vez na vida visto uma apresentação do Ballet de Londrina. Vou seguir essa meta até o fim", almeja.
Serviço:
Apresentações de "Petrouchka" e "A Sagração da Primavera", do Ballet de Londrina
Quando Hoje (para convidados), sábado e domingo, às 20 horas, e dias 23 e 24 no mesmo horário
Onde Circo Funcart (R. Senador Souza Naves, 2.380), em Londrina
Quanto - R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Informações -(43)3342-2362


