Ballet Bolshoi promove encontro de gerações
Estrela do Bolshoi em cena: Maria Allach dança no Guaíra José Suasssuna
Ballet Bolshoi promove encontro de gerações
Apresentação em Curitiba teve jovens no elenco junto com veteranos das sapatilhas
Zeca Corrêa Leite
O Ballet Bolshoi brilhou na noite de quarta-feira no Guairão, em Curitiba. O espetáculo, que teve três horas de duração - contando-se os intervalos -, foi visto por um público encantado com a beleza da cena no palco. Entre os espectadores estava o primeiro bailarino do Teatro Guaíra, Wanderley Lopes. Wanderley deu seu depoimento sobre a apresentação para a Folha2, e lembrou aquilo que passou em branco na imprensa nacional - o diretor artístico, Vladimir Vassiliev, e sua mulher, Eketerina Maximova, já dançaram com o Ballet Teatro Guaíra (BTG). Leia, abaixo, os comentários do bailarino sobre a apresentação:
Como curitibano me sinto honrado com a presença do Bolshoi na cidade, e não concordo com as críticas que saíram na imprensa de São Paulo e Rio. Pelo menos aqui em Curitiba a companhia fez uma apresentação muito boa. Vi muitos valores novos. Percebe-se que o diretor artístico Vladimir Vassiliev está dando oportunidade para os jovens. Estão nascendo novas estrelas.
José SuassunaWanderley Lopes no espetáculo do Bolshoi: bailarino fez comentários a pedido da Folha2Antigamente o Bolshoi ficava atrelado a uma única figura, a um ou dois casais. Nas décadas de 70, 80 a companhia ficava atrelada, inclusive, à figura do próprio Vassiliev quando ainda dançava, e da sua esposa, Eketerina Maximova. Aliás, tivemos o privilégio de tê-los dançando com o Ballet Teatro Guaíra, O Quebra-Nozes, em 1980. Inclusive, o BTG fez uma turnê com essas duas estrelas por São Paulo e Rio de Janeiro.
Agora, apesar de todo processo que o Bolshoi está passando, dá para sentir que o diretor está dando oportunidade para essa garotada. É bonito isso: ele não está dispensando as pessoas de maior experiência. Neste espetáculo deu para ver os jovens com toda energia, toda gana lá na frente. Pelo meio do grupo tinha veteranos, fazendo o corpo de baile. Estão agora fazendo o corpo de baile, para que os jovens brilhem, como eles também brilharam. Dá para sentir, da platéia, essa união entre as gerações.
Não vejo o espetáculo como caça-níquel, foi um trabalho muito bem-feito, muito bem pensado. O grupo se apresentou bem. Isso nem sempre acontece com as companhias internacionais. O Bejart veio para cá e foi um desastre. Esperávamos muito mais do grupo, não só nós, os artistas, como o público em geral. Porque todo aquele mito, toda aquela história em cima de Bejart propicia expectativas...
Eu já tinha visto o Bolshoi em várias situações, inclusive em Paris, no Grand Palais. Lá assisti a Spartacus e O Quebra-Nozes, completos. Mas da última vez que ele esteve aqui, anos atrás, não gostei, ao contrário de agora. Eles estão trilhando um novo caminho, com muito sucesso. Como falei o balé não está centrado em um ou dois casais. Hoje há várias estrelas, mesmo no corpo de baile.





