Arquivo FolhaBallet de Câmara de Londrina: planos de colocar os pés na Europa ainda este ano


O Ballet de Câmara da Cidade de Londrina retoma suas atividades com o calendário de apresentações para o primeiro semestre praticamente fechado. Em março, no período de 27 a 30, faz, no Cine Teatro Ouro Verde, em Londrina, a estréia do novo espetáculo, ‘‘Cria’’. Depois, parte em turnê nacional, se apresentando, em abril, nas cidades de Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Ilhéus (BA), Vitória (ES), Belo Horizonte, Mariana e Ouro Preto (MG). No mês de maio, a companhia se apresenta em Curitiba e na capital do Peru, Lima. Em junho, volta a fazer nova temporada no Ouro Verde.
Segundo Leonardo Ramos, diretor e coreógrafo do Ballet, as apresentações em São Paulo e Rio de Janeiro ficaram para o segundo semestre deste ano, devido a reformas nos teatros do Sesc Ipiranga e Cacilda Becker, da Funarte. ‘‘Além do mais, nesta duas cidades teremos que fazer uma temporada maior, de pelo menos duas semanas em cada. Isto foi nos solicitado, devido ao grande sucesso das apresentações que fizemos no ano passado, com casa cheia todos os dias’’ - explica. Também estão em negociação apresentações em Salvador (BA) e Belém do Pará (PA), que podem ser incluídas ainda na primeira fase da turnê nacional.


Arquivo FolhaCompanhia alcança uma fase mais madura e ‘‘chovem’’ pedidos de bailarinos que querem entrar para o grupo



Sucesso Os sinais indicativos de que o Ballet já é uma realidade de sucesso são, segundo Ramos, a rede de produtores artísticos que conquistou no Brasil inteiro e o número de bailarinos interessados em trabalhar em Londrina. ‘‘Em cada cidade em que já nos apresentamos, temos um produtor artístico que faz questão de trabalhar conosco. Além disto, estamos negociando um convênio muito interessante com os Colégios Marista, para que faça nossa produção em cidades que ainda não conheçam nosso trabalho, como é o caso de Salvador e Belém’’ - diz.
No caso dos bailarinos, bastou ser divulgado que poderia haver uma vaga no corpo de baile este ano que começaram a ‘‘chover’’ pedidos de informações. ‘‘Como a Sônia Secco decidiu se aposentar como bailarina, vamos fazer uma audição para preencher sua vaga, no dia 1º de fevereiro. E estamos surpresos com o número de interessados. Pelo que estou sabendo, além do pessoal da região, há bailarinos de Belo Horizonte e Maceió fazendo testes. Inclusive um peruano, que nos assistiu em Trujillo, no ano passado, já está na cidade, aguardando o dia da audição’’ - conta.
Para Leonardo Ramos, este é um dos principais indicativos de que o Ballet está no caminho certo. ‘‘Apesar do baixo salário que pagamos, existe muita gente interessada em trabalhar conosco por causa da repercussão que tivemos. Isto até me assusta um pouco. Principalmente se levarmos em conta que não existe exatamente falta de trabalho no mercado da dança’’ - afirma.

Único empecilho
continua sendo
a falta de
patrocínio

Planos A turnê nacional e as apresentações em Londrina e Peru não são as únicas metas do Ballet para este ano. Segundo Ramos, a companhia pretende atuar em outras três linhas de trabalho. Uma delas é voltar a ser apresentar nos bairros da cidade, em centros comunitários e ginásios de esportes. ‘‘Queremos nos aproximar novamente da comunidade. Esta é um ponte importante para nós porque, se hoje lotamos o Ouro Verde, é graças a este público que aprendeu a gostar do nosso trabalho lá no seu bairro. E viu que não é um bicho de sete cabeças vir nos assistir no centro’’ - afirma
Além disto, o Ballet de Londrina pretende também reativar o projeto do Circuito Regional, parado desde meados de 1995, quando perdeu o patrocínio que garantia apresentações em 27 cidades da região. ‘‘Londrina tem uma grande vocação de integração do Norte e Noroeste paranaense. Ela é o eixo centralizador de toda esta região e o Ballet tem uma receptividade enorme com este público, carente de atividades culturais de nível profissional’’ - explica.
Também estão nos planos da companhia o salto definitivo para o mercado internacional, com apresentações na Europa ainda este ano. ‘‘Até agora, estávamos evitando dar este passo sem um convite mais tentador. Porque, se fossemos com a cara e a coragem e houvesse algum problema, poderíamos queimar um bom mercado. Mas não está descartada a hipótese de tentarmos algo do gênero desta vez, em uma país de língua latina, como Portugal ou Espanha’’ - afirma.

Belém e
Salvador podem
ser incluídas
na primeira turnê



Recursos Para conseguir pôr em prática estes planos, o diretor diz que vai ser preciso se organizar. ‘‘Organização, neste caso, não é somente detalhar e precisar com cuidado os nossos passos mas também ver se garantimos os recursos necessários para levá-los a cabo. Principalmente para ver se conseguimos um ano mais tranquilo, no sentido de não termos que ficar correndo atrás de dinheiro às vésperas dos eventos’’ - afirma.
Um dos meios de levantar os recursos vai ser a campanha que a Funcart e a Secretaria Municipal da Cultura deve desencadear nos próximos dias, na mídia londrinense, visando esclarecer as pessoas físicas e empresariado para a Lei de Incentivos Fiscais à Cultura. Além disto, o Ballet está com projeto de patrocínio total para o Circuito Regional e parcial para a turnê nacional junto à Secretaria de Estado da Cultura. Outro projeto é tentar conseguir o patrocínio do Sercomtel via Lei Rouanet, que dá desconto no Imposto de Renda para as empresas que investirem em cultura. ‘‘Nós temos aprovação do Ministério da Cultura para recebermos dinheiro através desta lei, mas nunca conseguimos nada’’ - conta o diretor
Agora, com a transformação da autarquia em Sociedade Anônima, a empresa terá que pagar IR. ‘‘Acredito que uma parceira com o Sercomtel seria interessante para todos. Além disto, como está nos planos da autarquia se expandir nacionalmente, acredito que seria ótimo para a empresa ter seu nome vinculado a uma companhia de dança’’ - afirma. Segundo Leonardo Ramos, o projeto foi apresentado junto ao departamento de Marketing do Sercomtel no início do ano, mas ainda não houve uma resposta. ‘‘Seria bom conseguir este patrocínio que daria o que a gente merece: um pouco de tranquiladade financeira para fazer as coisas’’ - lembra.

mockup