Balé sobre um homem chamado Antônio
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Zeca Corrêa Leite<br>Sucursal de Curitiba 
Um homem chamado Antônio vinha andando pela rua; distraído não percebeu o buraco na sua frente. Caiu no buraco e morreu. Este flash de um assunto banal (apesar da morte) é o tema e toda a história de Antônio Caído, o espetáculo que a Chameckilerner Cia. de Dança apresenta no Guairinha hoje e amanhã. Andréa Lerner e Rosane Chamecki são as coreógrafas e bailarinas da dança.
Elas contam e recontam tudo que poderia ter acontecido se o pobre cidadão não morresse. São variados e ricos os rumos que podem ser tomados na vida de pessoa, desde que o negror de um buraco não interrompa a caminhada. Essas possibilidades é que Andréa e Rosane exploram na dança. Rodeada de mistério e terror, há sempre um tom de ironia no ar, mostrando que todo poder e mesmo a suprema glória terrena acaba-se no instante em que o humano se defronta com a morte. Não há escapatória.
Para chegar ao trabalho final as coreógrafas trabalharam juntamente com os bailarinos Bryan Kepple, Pedro Osório e Cristina Latici. A música é de Vivian Trimble, cenografia de Scott Pask e Jim Larkin, luz de Stan Pressner e filme de Lorenzo Shapiro.
Curitiba-Nova York Andréa e Rosane moram há cinco anos em Nova York, mas formaram o duo quando ainda moravam em Curitiba. Em Nova York produzem balés para diversos teatros. Foram coreógrafas residentes no New Dance Lab, Mineapolis, e mais recentemente, com o grupo Espacio Alterno, na Venezuela, onde criaram a peça Propriedad Privada, No Trespasse. Sobre Antônio Caído escreveu Andre Lepecki, do Ballet International, da Alemanha: Um dos mais interessantes espetáculos que vi este ano. A solidão dos corpos, o enfoque da coreografia acerca da impossibilidade de tocar e alcançar são inteligentemente apresentadas. E Deborah Jovitt, do The Village Voice, completou: É difícil tirar o olho daquelas pessoas no palco.
qAntônio Caído - com a Chameckilerner Cia. de Dança. No Guairinha, hoje e amanhã. Ingressos: R$ 10,00.


