Balé mais que perfeito
Balé mais
que perfeito
Bailarinos indianos mostraram em
Londrina um espetáculo encantador
Célia Musilli
André Teixeira
Será balé ou uma pintura de Matisse? O espectador transita entre as duas artes ao assistir às danças Bharat Natyam e Khatak apresentadas pelos indianos no fim de semana em Londrina. Movimentos tão perfeitos remetem a telas em que a imagem congelada não deixa escapar nenhum dedo da sincronicidade. Movimentos tão perfeitos transformam em devas - espíritos da natureza - os bailarinos em grupo ou solitários, em transe. Pés e mãos são aliados. O ritmo marcado pelas palmas e os pés alinhados, no ar e no chão, são
André Teixeira
Dois momentos do balé Khatak: metade humano, metade divino em movimentos perfeitos e surpreendentesexpressão de uma arte única. Esta arte atravessou os séculos e o corpo de milhares de bailarinos. Mas na essência a cultura permanece e ganha generosas pinceladas de contemporaneidade para não se perder no tempo. Passado e presente se fundem. E as duas horas de balé passam num instante. Não há tédio na dança. Há lentidão confortável quando os gestos se repetem indefinidamente. Há vibração compensatória quando tentamos acompanhar com os olhos o transe frenético - metade humano, metade divino - que os bailarinos oferecem como espetáculo. Então compreendemos por que os dançarinos de Khatak definem sua arte como um meio cósmico. Contatos com o criador sem utilizar e-mail. Só o movimento frenético das mãos e principalmente dos pés. E deixamos o teatro bêbados de ritmo, um vinho que a humanidade conhece desde o começo dos tempos. Os tambores e os pés são aliados do homem. A dança é uma arte de memória ancestral.
Será balé ou uma pintura de Matisse? A ciranda dos bailarinos indianos deixa a dúvida. Acho que vimos uma gravura recontando um trecho do Bhagavad Gita. Acho que os devas nos visitaram.





