O curador, idealizador e diretor artístico da Biennalle de la Danse de Lyon (França), Guy Darmet, assistiu na última quarta-feira a várias coreografias do Balé Teatro Guaíra (BTG). Ele veio conhecer as mais recentes peças realizadas pelo BTG e analisar a possibilidade de o balé ir à França em 2002. Viajando pelo Brasil durante um mês, o curador tem 40 espetáculos programados para analisar.
A próxima edição do festival de Lyon, que será a décima, terá como tema a dança latina. ''Os festivais de Lyon são sempre temáticos e geográficos. Em 2000 o enfoque foi para a região da China. Já fizemos um, em 1996, inteiramente dedicado ao Brasil, chamado de 'Aquarela do Brasil' e para o ano que vem programamos um evento dedicado à América Latina'', contou.
No Guairão, Guy Darmet assistiu ao ''Segundo Sopro'', de Roseli Rodrigues, ''Orikis'' e ''Trânsito'', da coreógrafa baiana Ana Vitória, e ''Nem tudo que se tem se usa'', da dupla Chamecki & Lerner. ''Para nós é muito importante divulgar esse trabalho fora do Brasil. temos uma companhia de excelente qualidade técnica e as coreografias são muito criativa'', reconhece a diretora presidente do Centro Cultural Teatro Guaíra Dóris Teixeira.
Nessa maratona de dança, Darmet já esteve em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. De Curitiba segue para Goiânia e Belo Horizonte. Em outubro outras cidades brasileiras serão visitadas, além de Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina). No Paraná, além do BTG, o curador fez contato com a Verve Companhia de Dança de Campo Mourão.
O principal objetivo dessa viagem ao Brasil é selecionar companhias a bienal de setembro de 2002. ''Estou assistindo a todos os tipos e estilos de dança, entre as melhores do Brasil. O que posso adiantar é que desde 1996, quando fizemos o festival 'Aquarela do Brasil', muita coisa mudou. Tem muita gente nova desenvolvendo uma dança especial, moderna e acima de tudo, brasileira'', afirmou.
''É muito cedo para dizer que companhias serão selecionadas, mas o BTG tem chances, por ser uma companhia de qualidade e grande. Com o Festival ocupa 15 teatros, precisamos de companhias maiores. Na verdade, selecionamos grupos de todos os tamanhos, e o BTG tem características que estamos procurando'', adiantou Darmet.
Trabalhando há 21 anos como curador, Guy Darmet foi o responsável por levar o Grupo Corpo pela primeira vez à Europa, em 1994. A companhia mineira ficou por lá apresentando-se durante duas semanas e hoje é muito conhecida e respeitada em diversos países europeus. Outra companhia brasileira que ele destaca é a da carioca Débora Colker. ''É uma companhia muito diferente do BTG mas também muito brasileira, com muita energia.''
O curador diz que no Brasil a dança está em todos os lugares. ''Acho que a miscigenação de raças provocou uma combinação muito especial. A dança está nas ruas, nas igrejas, em manifestações diversas com muito samba, xaxado, ciranda, e muito mais. A dança está muito viva no Brasil. Infelizmente a Europa já perdeu isso.''

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