Balé encerra o ano no Guairão
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sexta-feira, 12 de dezembro de 1997
Edmundo Inagaki Curitiba 
DivulgaçãoA estréia de O Grande Circo
Místico pelo Ballet Teatro Guaíra foi há
14 anos, agradou no Brasil e exteriorO Grande Circo Místico, espetáculo que o Ballet Teatro Guaíra apresenta hoje, amanhã, às 20h30, e domingo, às 18 horas, encerrando o ano no Grande Auditório do Teatro Guaíra, com entrada franca, já se converteu num dos momentos memoráveis da dança brasileira.
Passados 14 anos desde sua estréia no Guairão, O Grande Circo Místico foi aclamado em várias capitais brasileiras - como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis, dezenas de cidades do interior paranaense, e até em Portugal, abrindo as portas do mundo para o Ballet Guaíra.
O sucesso é tão grande, que nem mesmo a primeira-bailarina da companhia, Eleonora Greca, recorda o número de vezes que interpretou Beatriz. Acho que foram mais de 200, arrisca a solista, num esforço quase inútil.
O Grande Circo Místico nasceu da união feliz entre o roteiro de Naum Alves de Souza (responsável também pela criação dos cenários e figurinos de Jogos de Dança em 1981), baseado nos versos do poema A Túnica Inconsútil, do modernista Jorge de Lima, com letras de Chico Buarque de Holanda e músicas de Edu Lobo - interpretadas por grandes nomes da MPB, coreografadas pelo português Carlos Trincheiras.
A diretora artística do BTG, Marta Nejm, que participou como bailarina da primeira montagem do espetáculo em 1983 e hoje coordena a remontagem com as ensaiadoras Carla Reinecke e Gulian Dib, justifica a brilhante carreira do balé: Tudo deu certo. Foi um casamento perfeito no qual todos se envolveram com muita empolgação.
Dinastia circensePublicado em 1938, o poema A Túnica Inconsútil, de Jorge de Lima, foi inspirado na história real da dinastia circense austríaca Knie. Sem obedecer ao ritmo ou à métrica, bem ao estilo modernista, os versos tratam, numa visão fantástica, do amor do estudante de medicina Frederico pela equilibrista Agnes.
Frederico abandona os estudos para acompanhar a trupe de artistas à qual pertence Agnes. Casa-se com ela e funda a dinastia Knie. Os dois têm uma filha, Charlotte, que casa-se com um clown. Desta união nascem Marie e Otto. Este último abandona o circo quando se apaixona pela bailarina de cabaré Lily Brown. Com ela tem uma filha, a mística Margarete, que traz a Via Sacra tatuada no corpo.
Margarete casa-se com o trapezista Ludwig e é violentada pelo homem-fera do circo, que se converte e morre depois do crime. Marie e Hélene, filhas de Margarete, dançam no arame e levitam. Os casamentos vão se sucedendo, com as gerações de Knie perpetuando a arte circense. Em 1919 a dinastia funda o Circo Nacional Suíço.
Para representar essa bela história, narrada em dois atos e 27 quadros, estarão em cena 41 bailarinos, dançando ao som de Milton Nascimento, Jane Duboc, Gal Costa, Simone, Gilberto Gil, Tim Maia, Zizi Possi, Chico Buarque e Edu Lobo.


