BALÉ DE ALTO IMPACTO
A Parsons Dance Company, uma das mais comemoradas companhias de dança contemporânea apresenta-se pela primeira vez em Curitiba
DivulgaçãoDavid Parsons procura sempre bailarinos ‘‘impactantes, com energia nos olhos’’ e apresenta peças que segundo ele, são ‘‘mais sérias, macabras’’
‘Nascimento’ é um
tributo ao espírito
brasileiro
Zeca Corrêa Leite
As platéias de São Paulo e Rio já conhecem o balé de David Parsons. A The Parsons Dance Company, das mais importantes do mundo na dança contemporânea, faz sua estréia em Curitiba neste final de semana. O público que recentemente viu outra companhia americana, a Momix, e se dispuser a conhecer a de Parsons, terá bem delimitada os estilos de cada uma delas.
Na opinião de David Parsons seu trabalho é ‘‘mais sério, macabro’’. A energia é um fator preponderante, obrigatoriamente aliado à técnica. O coreógrafo contou, durante entrevista coletiva à imprensa, que quando seleciona um novo membro para o grupo, observa o físico, a capacidade técnica e ‘‘se tem energia nos olhos’’. O que ele procura são ‘‘bailarinos interessantes, impactantes’’.
Ao colocar seus profissionais em cena, David Parsons vai de encontro ao íntimo da platéia. ‘‘O meu trabalho é tocar as pessoas, fazer com que elas pensem em suas vidas’’. Exemplo disso é um dos números programados, onde os bailarinos parecem flutuar no espaço, graças ao jogo de luzes. Todo ser humano que se preze gostaria de voar.
Como está vindo à Curitiba pela primeira vez, a companhia apresentará trabalhos mais antigos, disse Parsons. Ele espera retornar com outros mais recentes, mas enquanto isso não acontece, oferece a oportunidade do público conhecer peças importantes como ‘‘Nascimento’’, de 1990, que encerra a sessão.
A peça tem trilha sonora formada exclusivamente por brasileiros. Milton Nascimento compôs o tema, assinou os arranjos e participou dos vocais. Túlio Mourão esteve nos teclados, Robertinho Silva na bateria e percussão; João Baptista no baixo, Ronaldo e Vanderlei Silva na percussão. A dança é um ‘‘tributo ao espírito brasileiro e à música de Milton Nascimento que criou este presente para a companhia depois de assisti-la’’, segundo Parsons.
Se o programa fecha com Milton Nascimento, abre com Johann Sebastian Bach. ‘‘Bachiana’’ desenvolve-se através da ‘‘Suíte Orquestra’’ e ‘‘Air on a G String’’. Do barroco o grupo dá um salto para outro clima, propondo um estudo do sono em ‘‘Sleep Study’’, com música de Flimm & The BB’s.
‘‘Union’’, criado sobre a música de John Corigliano, tem efeitos de luz desenhados por David Parsons. Com uma sensualidade contida, os movimentos transcorrem em câmara lenta, construindo um universo de estranhas combinações. Para quem gosta do mundo fashion, vale atentar para os figurinos de Donna Karan.
‘‘Caught’’, com música de Robert Fripp, também conta com os efeitos de luz de Parsons. O palco transforma-se como se fosse um solo estroboscópico. A platéia tem a sensação do vôo, como se os bailarinos desafiassem a gravidade e voassem por cima do palco. Graças a este trabalho o coreógrafo teve seu nome consagrado mundialmente. Aproveitando o clima de hipnose, entra o som brasileiro para um ‘‘grand finale’’.
The Parsons Dance Company. Companhia de dança contemporânea, faz sua estréia em Curitiba. Dia 6 às 21 horas e dia 7 às 19 horas, no Guairão. Ingressos: R$ 30,00 (platéia), R$ 20,00 (primeiro balcão), R$ 15,00 (segundo balcão).

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