Paquito/DivulgaçãoLa Mínima Companhia de Ballet: os passos do balé servem de ponto de partida para o espetáculo cômico que será mostrado no Circo da FuncartJackeline Seglin
Eles prometem não deixar o público em paz. Antes de encarnar os dois palhaços de ‘‘La Mínima Companhia de Ballet’’, os atores-circenses Domingos Montagner e Fernando Sampaio vão precisar muito da platéia que estará hoje à noite no Circo da Funcart. A companhia paulista La Mínima apresenta na 32ª Mostra Regional/Nacional e Universitária do Festival Internacional de Londrina (Filo) um espetáculo inspirado nas divas do balé clássico.
É só inspiração mesmo, porque o que a dupla vai mostrar é uma paródia ao gênero. ‘‘A dança é o mote deste espetáculo de palhaços que usa a performance, os estilos e as linhas do balé clássico para compor acrobacias circenses’’, explica Fernando Sampaio.
‘‘La Mínima Companhia de Ballet’’ anuncia duas figuras do balé clássico, como se fosse uma grande companhia! Formada por duas pessoas... que se desdobram e fazem de tudo. ‘‘É o retrato de muitos grupos nacionais’’, avalia Domingos Montagner.
Também inspirado em companhias itinerantes, a La Mínima chega e arma seu circo. ‘‘Primeiro somos os divulgadores, depois os montadores e, finalmente, nos tornamos os atores do espetáculo’’, antecipa Montagner. A idéia é criar uma expectativa, tentando atrair cada vez mais a atenção do público para chegar ao gran finale: um pas-de-deux como acrobacia de solo e um doble trapézio (acrobacia aérea realizada em uma parede de mais de cinco metros de altura).
Em 40 minutos, os artistas de rua transformam situações cotidianas em cenas cômicas. As falhas do ser humano e o ridículo do cotidiano vêm à tona através do olhar do palhaço. O improviso é um elemento de destaque nesta montagem, que não se prende especificamente a um texto. ‘‘Temos um roteiro de ações, do qual surgem os improvisos. Aproveitar os momentos é o mais importante’’, observa Sampaio.
O ‘‘La Mínima’’ é uma companhia auto-suficiente e ‘‘quase mambembe’’, já que são os próprios atores os responsáveis por toda a montagem - inclusive concepção, direção, criação de coreografia, figurinos e trilha sonora. E foi dessa característica que em 1997 nasceu este espetáculo.
Os dois artistas se conheceram há anos, no Circo Escola Picadeiro - a mais antiga escola de circo de São Paulo - e em 1994 começaram a trabalhar juntos. Na época, Sampaio fazia parte da companhia Nau de Ícaros e Domingos Montagner, da Companhia Piafraus de Teatro, a qual integra até hoje.
A linha de trabalho dos atores-circenses é o palhaço que constrói sua performance baseado em alguma façanha circense. ‘‘A gente gosta muito da tradição do palhaço de circo. E é dessa fonte que a gente bebe para buscar inspiração’’, comenta Montagner.
- ‘‘La Companhia Mínima de Ballet’’, com Domingos Montagner e Fernando Sampaio, do La Mínima, de São Paulo. Hoje, às 22 horas, no Circo da Funcart (Rua Souza Naves, 2.380). Ingressos a R$ 10,00 (estudantes, terceira idade e funcionários da Universidade Estadual de Londrina pagam meia).

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