Baixo custo com alto retorno
Baixo custo
com alto retorno
O interesse que as empresas têm desmonstrado na formação de grupos vocais está fortalecendo o canto coral, segundo o maestro José Mário Tomal. Hoje, uma grande camada da população brasileira participa ou participou de um coral - afirma.
E, para Tomal, formar um coral não é difícil nem oneroso. A vantagem do canto coral é que qualquer pessoa - crianças, adultos e idosos - pode participar. Segundo ele, hoje, 80% dos atuais integrantes de corais nunca tiveram nenhum contato anterior com música. São pessoas que descobriram o poder da música até como terapia ocupacional - explica.
Isto, segundo ele, não significa que é preciso ter dom ou voz para cantar. Mesmo o mais desafinado dos cantores pode aprender a cantar. Só precisa de um trabalho mais específico de musicalização, percepção e afinação. Os meus melhores coralistas atualmente são pessoas que se acreditavam extremamente desafinadas - garante.
O maestro explica que um coral é formado, basicamente, por quatro vozes ou naipes - soprano, contralto, tenor e baixo - embora não seja absolutamente necessário ter todas as quatro. Essencialmente, o ser humano tem dois timbres de voz: agudo (soprano e tenor) e grave (contralto e baixo). Entre estes, porém, existem os timbres intermediários, como os mezzo-sopranos e os barítonos, que são mais comuns de se encontrar. E mesmo estes têm variações - explica.
Para montar um coral na empresa é preciso, antes de tudo, vontade dos funcionários em participar, pois exige trabalho voluntário e disposição para os ensaios semanais e até diários. A implantação é a parte mais onerosa, em termos financeiros, já que é preciso contratar um regente e um orientador vocal, além de uniformes, teclado e disponibilizar um local para ensaios.
Depois das primeiras despesas, o custo - incluindo o salário do regente e do orientador vocal - pode variar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil mensais, com despesas como transporte para as apresentações, lanche e manutenção dos uniformes. A Sercomtel, por exemplo, oferece ainda aos 48 integrantes de seu coral um incentivo financeiro mensal, cerca de R$ 60, para pequenas despesas.
Às vezes a pessoa precisa tomar um táxi ou ir ao cabeleireiro ou até pagar um estacionamento durante a apresentação. Este incentivo é para suprir estas pequenas despesas. Em contrapartida, há um controle de presença nos ensaios, incluindo a frequência nos exercícios de técnica vocal - diz Leonice Camarani El Kadre, coordenadora do Coral da Sercomtel. Segundo ela, é um investimento pequeno em proporção ao retorno que dá. A peça publicitária da Sercomtel, no Natal do ano passado, foi o CD que o coral gravou. E que agradou a todos - afirma.
Uma alternativa para reduzir custos é tentar incluir o projeto em Leis Municipais de Incentivo à Cultura, nas cidades que a oferecem. Em Londrina, o Coral Banestado está se beneficiando desta lei. Através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que em Londrina é uma das melhores, o banco repassa parte do seu ISS devido diretamente ao Coral. Assim, ninguém perde e todos ganham, inclusive a comunidade - diz Maria Inês Tonon, coordenadora do Coral Banestado.
(T.E.)





